O Estreito de Ormuz é crucial para o transporte de petróleo no Oriente Médio • 09/10/2023 REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou a decisão dos Estados Unidos de revogar a suspensão temporária das sanções sobre as vendas de petróleo iraniano e afirmou que Washington deverá responder pelas consequências da medida.

Em manifestação divulgada após o anúncio norte-americano, o governo iraniano acusou os Estados Unidos de violar o chamado memorando de Islamabad, firmado no contexto dos esforços para encerrar a guerra.

Segundo a diplomacia iraniana, Teerã adotará todas as medidas consideradas necessárias para proteger seus interesses e a segurança nacional diante da retomada das restrições.

EUA revogam autorização para venda de petróleo iraniano

A decisão foi anunciada nesta terça-feira (7) por uma autoridade dos Estados Unidos. Washington revogou uma licença geral que permitia temporariamente a comercialização de petróleo iraniano sem a aplicação das sanções anteriormente impostas.

O representante norte-americano afirmou que as recentes ações atribuídas ao contexto de tensão no Estreito de Ormuz são “totalmente inaceitáveis” e advertiu que haverá consequências.

A medida ocorre após uma sequência de incidentes envolvendo embarcações na região, considerada uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio mundial de energia.

Ataques contra petroleiros ampliam tensão

Nos últimos dias, três petroleiros relataram terem sido atingidos por projéteis de origem ainda desconhecida no Estreito de Ormuz e em áreas próximas, segundo informações das Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), agência ligada à Marinha britânica.

Até o momento, não houve reivindicação pública de responsabilidade pelos ataques. O governo iraniano também não apresentou manifestação imediata sobre os episódios envolvendo as embarcações.

A revogação da licença americana foi anunciada em meio à escalada das tensões na região.

Petróleo sobe mais de 3% após anúncio

A decisão dos Estados Unidos provocou reação imediata no mercado internacional. Os preços do petróleo avançaram mais de 3% após a divulgação da retomada das restrições sobre as exportações iranianas.

O movimento reflete a preocupação dos investidores com uma possível redução da oferta e com novos riscos à circulação de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

A passagem marítima tem importância estratégica para o mercado global, sendo utilizada no transporte de grandes volumes de petróleo e outros produtos energéticos.

Suspensão havia sido adotada em junho

A flexibilização das sanções teria sido estabelecida em junho deste ano, no contexto de um entendimento entre o governo dos Estados Unidos e a República Islâmica.

A autorização, implementada em 21 de junho, permitia que o Irã vendesse e entregasse petróleo a quase todos os países do mundo sem sofrer sanções americanas, incluindo operações envolvendo os próprios Estados Unidos.

Inicialmente, a licença permaneceria válida até 21 de agosto. Com a nova decisão de Washington, a suspensão temporária foi encerrada antes do prazo previsto.

Negociações continuam apesar da escalada

Apesar do aumento das tensões, uma autoridade norte-americana afirmou que os negociadores seguem trabalhando para alcançar um acordo definitivo com o Irã.

As conversas continuam em meio a um cenário de forte instabilidade, marcado pela retomada das sanções, pelos incidentes envolvendo petroleiros e pelas divergências sobre o cumprimento dos entendimentos firmados anteriormente.

O governo iraniano, por sua vez, sustenta que a decisão americana representa uma violação dos compromissos assumidos e promete reagir com medidas destinadas à defesa de seus interesses estratégicos.

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