
A ex-nadadora olímpica Joanna Maranhão denunciou um episódio de xenofobia vivido pelo filho Caetano, de apenas 6 anos, em uma escola na Alemanha. Segundo a atleta, o menino ficou assustado após ouvir de um colega que seus pais seriam deportados do país e que a polícia poderia separá-lo da família.
O caso aconteceu em Potsdam, no leste da Alemanha, onde Joanna vive há cerca de três anos e meio com o marido, o ex-judoca Luciano Corrêa, e o filho. O relato foi divulgado pela ex-atleta em entrevista à BBC News Brasil e ganhou repercussão nas redes sociais após ela expor a situação envolvendo preconceito e discurso anti-imigração dentro do ambiente escolar.
De acordo com Joanna, o filho contou que um colega afirmou que chamaria a polícia para mandar os pais dele “de volta para o país deles”. Sem entender completamente o significado da ameaça, Caetano passou a temer que pudesse ser separado da mãe e do pai.
A ex-atleta afirmou que precisou explicar ao filho, de maneira adaptada à idade dele, temas como imigração, preconceito e documentação legal.
“Ele perguntou se a polícia poderia vir, e eu precisei tranquilizá-lo dizendo que nada aconteceria porque nossa situação no país é regular”, contou Joanna.
O episódio levou a família a procurar a direção da escola, que prometeu reforçar ações educativas de combate ao racismo e à xenofobia entre os alunos. Segundo Joanna, a própria professora teria relatado que o pai da criança responsável pela ameaça possui posicionamentos anti-imigração e seria apoiador da AfD, partido identificado pelas autoridades alemãs como organização de extrema direita.
A ex-nadadora também destacou que o caso envolve não apenas xenofobia, mas questões raciais. Ela lembrou que o marido é negro e que o filho não possui características físicas semelhantes à maioria das crianças alemãs.
Mesmo diante da situação, Joanna revelou que tentou transformar o episódio em uma experiência de diálogo. Após o ocorrido, Caetano voltou à escola levando bolinhos feitos com a mãe para dividir com toda a turma, inclusive com o colega que o ofendeu.
Para a ex-atleta, a escola tem papel fundamental na formação das crianças e no enfrentamento ao preconceito.
“É muito duro ver uma criança reproduzindo esse tipo de discurso. A escola pode impedir que isso cresça e se transforme em algo ainda mais perigoso”, afirmou.
Joanna Maranhão também relatou que a família já enfrentou outros episódios de racismo e xenofobia durante o período em que viveu na Europa. Segundo ela, Luciano Corrêa chegou a ser acusado injustamente de roubo na Bélgica por estar transportando o próprio filho em um carrinho de bicicleta.
Apesar das experiências traumáticas, a ex-atleta disse que evita generalizar a sociedade alemã e ressaltou que conhece pessoas comprometidas com a defesa da democracia e dos direitos humanos.
Além da carreira esportiva, Joanna Maranhão se tornou referência nacional na luta contra abusos no esporte após denunciar violência sexual sofrida na infância. Atualmente, ela integra organizações internacionais voltadas à defesa dos direitos humanos e da proteção de crianças.







