
O ministro da Defesa, José Múcio, garantiu neste sábado (17) ao senador Eduardo Braga (MDB-AM) e ao ex-deputado federal Marcelo Ramos que o Governo Federal está mobilizando novos recursos militares para reforçar o combate às queimadas no Amazonas. Durante uma videoconferência, o ministro anunciou o envio de uma aeronave para transporte de tropas e de 70 dispositivos de lançamento aéreo de água, cada um com capacidade de mil litros, para auxiliar as operações contra os incêndios florestais.
A resposta ocorreu após Braga e Marcelo relatarem ao ministro a gravidade da situação enfrentada pela população amazonense, especialmente em Manaus, onde a fumaça tomou conta da cidade e elevou a poluição atmosférica a níveis perigosos para a saúde.
Ao detalhar as providências adotadas pelo Ministério da Defesa, José Múcio confirmou que os equipamentos estavam sendo enviados ao estado ainda neste sábado.
“Hoje tá saindo daqui um avião com um equipamento, inclusive um avião novo Casa para deslocar a tropa. Estamos levando um equipamento novo, são umas caixas, cada caixa tem 1.000 litros de água. Essas caixas, a gente solta no ar, elas abrem no ar e têm 1.000 litros de água. Estamos levando 70 caixas hoje”, afirmou o ministro.
Os 70 dispositivos anunciados representam uma capacidade nominal conjunta de 70 mil litros de água, embora isso não signifique que todo esse volume será lançado em uma única operação.
A manifestação mais enfática de José Múcio ocorreu quando ele colocou a estrutura das Forças Armadas à disposição para ajudar o Amazonas a enfrentar a emergência ambiental.
“De antemão, saiba que o que for preciso, nós já estamos, antes de ser solicitado, nós já estamos à disposição”, garantiu.
Eduardo Braga e Marcelo Ramos levam gravidade da crise ao Ministério da Defesa
Durante a conversa, Eduardo Braga e Marcelo Ramos destacaram que a situação dos incêndios no Amazonas já havia sido apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em contatos anteriores.
Os dois políticos defenderam a necessidade de ampliar a resposta federal, utilizando a capacidade logística e operacional das Forças Armadas para alcançar regiões afetadas pelo fogo, sobretudo municípios do interior onde as dificuldades de deslocamento e acesso podem comprometer as operações de combate.
Entre os municípios mencionados está Autazes, que enfrenta múltiplos focos de incêndio. Em Manaus, embora o fogo não esteja concentrado necessariamente na área urbana, a fumaça proveniente das queimadas tem provocado uma grave deterioração da qualidade do ar.
A interlocução de Braga e Marcelo com José Múcio buscou acelerar o envio de equipamentos e garantir o apoio necessário às equipes que já trabalham no enfrentamento dos incêndios.
Ministério da Defesa coloca Forças Armadas à disposição
Além de confirmar o envio da aeronave e dos equipamentos de combate aéreo, José Múcio sinalizou a disponibilidade de contingentes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para colaborar com as ações emergenciais.
A eventual ampliação da participação militar ainda depende de definições operacionais do Governo Federal, incluindo a forma de emprego das tropas e sua integração às equipes civis responsáveis pelo combate ao fogo.
A utilização da estrutura militar poderá contribuir para o transporte de pessoal, equipamentos e suprimentos, especialmente em áreas remotas do Amazonas.
A promessa de apoio também ocorre em um momento de pressão sobre as autoridades para acelerar medidas capazes de conter os incêndios e reduzir os impactos da fumaça sobre a população.
Manaus registra a pior qualidade do ar do mundo
O reforço anunciado pelo Ministério da Defesa ocorre no mesmo dia em que Manaus registrou índices extremos de poluição atmosférica.
Segundo a plataforma internacional IQAir, a capital amazonense chegou a liderar o ranking mundial de pior qualidade do ar na manhã deste sábado. Por volta das 8h40, o índice de qualidade do ar alcançou 657 pontos, dentro da classificação considerada perigosa.
A concentração de partículas finas PM2,5 chegou a 404,3 microgramas por metro cúbico, aproximadamente 80,9 vezes a diretriz anual de referência da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 5 microgramas por metro cúbico. A comparação é com o parâmetro anual, não com um limite de exposição instantânea.
A fumaça tem provocado transtornos à população, aumentando a preocupação com problemas respiratórios, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
A baixa visibilidade também tem dificultado as operações aéreas de combate aos incêndios, tornando ainda mais urgente a coordenação entre os órgãos federais e estaduais.
Governo Federal amplia mobilização e anuncia mais cinco aeronaves
Além dos equipamentos confirmados por José Múcio na videoconferência, o Governo Federal anunciou neste sábado a ampliação da estrutura aérea mobilizada para o Amazonas.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, mais cinco aeronaves serão incorporadas à operação, elevando de 11 para 16 o número de aviões mobilizados. O reforço inclui aeronaves KC-390 e recursos adicionais para ações emergenciais.
A mobilização federal já contava com 290 brigadistas e recursos destinados ao fortalecimento das ações de combate ao fogo. O Ministério do Meio Ambiente havia confirmado oficialmente, em 12 de outubro, a mobilização inicial de 11 aeronaves, das quais seis já estavam operando no estado naquela data.
O Governo Federal também prepara a instalação de uma base da Força Nacional do SUS em Manaus, prevista para terça-feira (20), com o objetivo de apoiar a resposta da rede de saúde aos efeitos da fumaça.
Incêndios mais que dobraram em 2026
O agravamento da crise ambiental também aparece nos números de focos de calor registrados no Amazonas.
Entre janeiro e 12 de outubro deste ano, foram contabilizados 7.815 focos, crescimento de 116% em comparação com o mesmo período de 2025. Apesar do aumento expressivo, o número permanece abaixo da média histórica e dos registros de 2024.
O avanço dos incêndios, associado às condições de estiagem, tem provocado impactos ambientais, sociais e econômicos, exigindo uma resposta coordenada dos diferentes níveis de governo.
Para Eduardo Braga e Marcelo Ramos, a interlocução com o ministro José Múcio representa uma tentativa de acelerar o reforço federal em um momento de emergência, quando o combate às chamas e a proteção à saúde da população amazonense se tornaram prioridades imediatas.
A promessa do ministro de disponibilizar os recursos necessários reforça a expectativa de ampliação das operações, especialmente nas regiões mais atingidas pelos incêndios.







