O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel que apontou queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026. A decisão atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal, que questionou a metodologia utilizada no levantamento e alegou possível direcionamento das respostas dos entrevistados. As informações são do G1.

Além de ordenar a retirada do conteúdo dos canais oficiais da AtlasIntel, o ministro determinou que o instituto apresente documentação complementar para comprovar a regularidade metodológica da pesquisa. O caso também será analisado pelo Ministério Público Eleitoral e ainda deverá passar pelo crivo do plenário da Corte.

A controvérsia gira em torno de perguntas relacionadas ao Banco Master e ao vazamento de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro em conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário da instituição financeira. O levantamento foi divulgado após a repercussão do episódio, que ganhou destaque no noticiário político nacional.

Na avaliação de Kassio Nunes Marques, existem indícios de que a estrutura do questionário possa ter influenciado a percepção dos entrevistados antes da medição da intenção de voto. Segundo a decisão, a pesquisa pode ter ultrapassado a função de aferir a opinião pública e passado a interferir na formação dessa opinião.

O PL sustentou que oito das 49 perguntas do levantamento tratavam diretamente do Banco Master e foram organizadas de forma sequencial, criando um contexto que associaria o senador a suspeitas e controvérsias financeiras. Para o partido, a sequência das questões teria produzido um efeito capaz de impactar negativamente a avaliação dos entrevistados sobre o pré-candidato.

Ao justificar a suspensão, o presidente do TSE afirmou que o debate não se restringe a uma divergência metodológica, mas envolve a possibilidade de utilização do questionário como instrumento de indução das respostas. Em sua decisão, o magistrado destacou que pesquisas eleitorais não podem ser transformadas em mecanismos indiretos de propaganda negativa.

Entre as perguntas questionadas estavam indagações sobre confiança entre Lula e Flávio Bolsonaro, o suposto envolvimento de grupos políticos em fraudes financeiras ligadas ao Banco Master, além do conhecimento dos entrevistados sobre o áudio vazado envolvendo o senador e Daniel Vorcaro.

A AtlasIntel rebateu as acusações e afirmou que o áudio não foi reproduzido durante a aplicação principal do questionário. Segundo a empresa, os entrevistados só tinham contato com o conteúdo audiovisual após o encerramento definitivo da pesquisa, em uma etapa separada e opcional denominada Atlas VRC, ferramenta criada para medir reações a conteúdos em vídeo.

Em nota, o instituto declarou que respeitará a decisão judicial e colaborará com a Justiça Eleitoral para prestar todos os esclarecimentos necessários. A empresa também afirmou confiar que a análise técnica demonstrará a legalidade e a robustez metodológica do estudo.

A AtlasIntel argumenta ainda que outros levantamentos realizados posteriormente identificaram impacto semelhante do episódio envolvendo o Banco Master sobre as intenções de voto de Flávio Bolsonaro, o que, segundo a empresa, reforçaria que os resultados refletiram uma tendência real da opinião pública e não uma contaminação metodológica.

O levantamento questionado ouviu 5.032 eleitores em todo o país entre os dias 13 e 18 de maio. A margem de erro informada foi de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

A decisão individual de Kassio Nunes Marques deverá ser submetida à análise dos demais ministros do TSE na sessão desta terça-feira (9), quando o tribunal decidirá se mantém ou revoga a suspensão da pesquisa.

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