REUTERS/Mateus Bonomi

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (16) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “não tem mais condições de governar o Brasil” após a confirmação das novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre a maior parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A declaração foi feita nas redes sociais e amplia o embate político em torno da crise comercial entre os dois países.

Em publicação no X (antigo Twitter), o parlamentar, que é pré-candidato à Presidência da República, criticou duramente a condução do governo federal nas negociações com Washington e atribuiu ao presidente a responsabilidade pelo agravamento das relações comerciais com os Estados Unidos.

Segundo Flávio Bolsonaro, o Brasil vive um cenário de incerteza sob a atual gestão. Na postagem, ele afirmou que o país está “num avião sem piloto” e classificou Lula como “ranzinza, inconsequente e perigo para a nação”. O senador também declarou que os brasileiros enxergam no atual governo “atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência e vingança”.

As declarações ocorreram após o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, responsabilizar o governo brasileiro pelo fracasso das negociações que buscavam evitar a aplicação das novas tarifas. Em publicação nas redes sociais, Rubio afirmou que Lula e sua equipe não negociaram “de boa-fé” e que as políticas econômicas adotadas pelo Brasil prejudicam tanto os interesses americanos quanto os próprios brasileiros.

Flávio Bolsonaro compartilhou a manifestação do chefe da diplomacia norte-americana e reforçou o discurso de que o governo federal falhou nas tratativas comerciais.

Na semana passada, o senador participou das audiências promovidas em Washington pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), durante as discussões sobre a revisão da política tarifária contra o Brasil. Na ocasião, afirmou que a eventual adoção das sobretaxas ocorreria no “pior momento” para o país e poderia acabar fortalecendo politicamente o presidente Lula.

A crise comercial ganhou um novo capítulo na noite de quarta-feira (15), quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou a cobrança de uma tarifa de 25% sobre grande parte das importações brasileiras. A medida faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, utilizada para apurar práticas consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses dos EUA.

Em resposta, o governo brasileiro anunciou que iniciará os procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que permite ao Brasil adotar medidas contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas. Além disso, o Palácio do Planalto informou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a decisão norte-americana.

Em nota oficial, o governo federal afirmou que não existe justificativa econômica para a adoção das novas tarifas e classificou a investigação conduzida pelos Estados Unidos como incompatível com as regras do comércio internacional.

O comunicado também responsabilizou integrantes da família Bolsonaro pelo agravamento da crise diplomática. Segundo o Palácio do Planalto, o resultado da investigação americana teria contado com a “ativa colaboração” da família do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusada pelo governo de incentivar medidas que prejudicariam os interesses econômicos brasileiros em meio ao cenário político.

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