
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), criticou nesta quinta-feira (16) a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros, mas também responsabilizou o governo federal pela condução das negociações que antecederam a medida.
Em nota divulgada nesta quinta, Zema classificou a tarifa de 25% anunciada por Washington como uma ação “protecionista” e afirmou que a decisão prejudica a economia brasileira e enfraquece a relação histórica entre Brasil e Estados Unidos. Segundo ele, a sobretaxa pode reduzir a competitividade de empresas nacionais que dependem do mercado americano para exportar seus produtos.
Apesar de condenar a medida adotada pelo governo norte-americano, o ex-governador afirmou que a administração brasileira teria cometido erros durante as tratativas com os Estados Unidos. Para Zema, uma postura mais técnica e diplomática poderia ter reduzido as chances de uma retaliação comercial.
“O governo brasileiro errou nas negociações, criando atritos desnecessários e adotando um discurso eleitoreiro. Se tivesse agido de maneira técnica e responsável, poderia ter evitado uma retaliação que, de qualquer forma, não se justifica”, declarou.
A manifestação ocorre em meio ao início da articulação política de Zema para a disputa presidencial. O governador mineiro deixou o cargo em 2022 e passou a ser apontado como um dos nomes da oposição para a eleição nacional de 2026.
A decisão que motivou a reação foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos na quarta-feira (15). O presidente Donald Trump determinou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros enviados ao mercado americano. A medida entra em vigor a partir de 22 de julho.
Segundo a Casa Branca, a cobrança faz parte da política comercial adotada pelo governo Trump e foi justificada pela acusação de que o Brasil mantém práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos dos Estados Unidos.
O anúncio provocou reação do governo brasileiro, de entidades empresariais e de representantes do Congresso Nacional. O Palácio do Planalto afirmou que pretende acionar a Lei da Reciprocidade Econômica e a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a medida.
A nova tarifa poderá atingir milhares de produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, incluindo itens industriais e agrícolas. Alguns setores, como café e carne bovina, foram incluídos na lista de exceções e não sofrerão a cobrança adicional.
O episódio aumentou a tensão comercial entre os dois países, que mantêm uma relação econômica considerada estratégica. Os Estados Unidos estão entre os principais destinos das exportações brasileiras, especialmente para setores como indústria, energia, alimentos e manufaturados.







