
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira (21) que as autoridades vão impedir novos episódios de violência e saques durante os protestos previstos para o próximo sábado (24). A declaração ocorre em meio à mobilização do movimento dos Coletes Amarelos, que prepara uma marcha pelo centro de Paris, e aos esforços do governo para conter uma das mais graves crises enfrentadas pelo país nos últimos anos.
Enquanto Macron defende uma resposta firme das forças de segurança, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu se reuniu com representantes sindicais para tentar reduzir as tensões sociais.
Um representante dos Gilets Jaunes, nome francês do movimento dos Coletes Amarelos, anunciou planos para uma manifestação que deve percorrer áreas centrais da capital, incluindo locais atingidos pelos saques registrados recentemente. O grupo, que não é vinculado aos sindicatos, busca retomar a mobilização iniciada em 2018 contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos.
Grupos estudantis também convocaram atos para o mesmo dia, com reivindicações por maiores investimentos na educação.
Governo teme novos episódios de violência
Os protestos do último fim de semana terminaram em confrontos e saques em diferentes cidades francesas, entre elas Paris, Marselha, Lyon e Limoges. A polícia enfrentou dificuldades para controlar os distúrbios, que se prolongaram por horas.
Diante da possibilidade de novas manifestações violentas, Macron informou que se reunirá na quinta-feira (22) com autoridades de inteligência, Lecornu e outros integrantes do governo para receber um relatório detalhado sobre os acontecimentos de 17 de outubro.
“Aqueles que quiserem causar desordem nos centros das cidades no próximo sábado serão impedidos de fazê-lo”, declarou o presidente a jornalistas durante uma visita ao Catar, onde também busca acordos no setor de energia.
“Não pode haver hesitação no topo do Estado”, acrescentou.
A mobilização ocorre em um momento de pressão sobre o governo francês, que tenta responder às reivindicações sociais e, ao mesmo tempo, administrar as dificuldades nas contas públicas.
Crise afeta mercado financeiro francês
A instabilidade também repercutiu no mercado financeiro. Os custos de endividamento do governo francês subiram nesta semana, levando os rendimentos dos títulos de referência com vencimento em dez anos a 5%, o maior patamar desde julho de 2002, segundo as informações divulgadas.
Analistas avaliam que a escalada dos protestos pode dificultar os esforços do governo para equilibrar as finanças públicas. A preocupação aumenta diante das pressões orçamentárias e do risco de prolongamento da crise social.
O cenário coloca o governo diante do desafio de conter a violência sem ampliar os conflitos com grupos que protestam contra o custo de vida e a redução da qualidade dos serviços públicos.
Macron critica exploração política da crise
Durante a declaração, Macron também acusou líderes estrangeiros de disseminarem informações falsas ou distorcidas sobre os acontecimentos na França.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionou os distúrbios à imigração em massa e ao islamismo radical, afirmando que os acontecimentos deveriam servir de alerta para os norte-americanos.
Questionado se a crítica aos líderes estrangeiros era direcionada a Trump, Macron respondeu: “Entre outros”.
O presidente francês afirmou que alguns políticos de outros países estariam tentando tirar proveito da situação para obter ganhos políticos.
“Não precisamos disso. Já temos dificuldades com as quais lidar”, declarou.
Coletes Amarelos tentam retomar mobilização
O movimento dos Coletes Amarelos ganhou força na França em 2018, inicialmente em oposição ao aumento dos custos dos combustíveis e, posteriormente, com reivindicações mais amplas relacionadas ao poder de compra, à desigualdade social e aos serviços públicos.
A marcha prevista para sábado ocorre em meio à tentativa de reorganização do movimento e à convocação de novos atos por diferentes grupos sociais.
A expectativa do governo é evitar que as manifestações se transformem novamente em episódios de violência e depredação. A mobilização também será acompanhada de perto diante dos impactos políticos e econômicos provocados pela crise.







