Fato Amazônico

Novos detalhes divulgados pela Polícia Civil do Amazonas revelam a sequência de violência que antecedeu o desaparecimento da recém-nascida Ayla, de 21 dias. Segundo a investigação, a mãe da criança, a doméstica Márcia Maués da Silva, foi atraída para um imóvel, dopada e agredida antes de ter a filha levada. Posteriormente, ela teria sido vítima de violência sexual em outro endereço.

Enquanto a mãe procurava desesperadamente pela filha, Jaqueline da Silva Braz, de 24 anos, teria passado a apresentar a recém-nascida para familiares e pessoas próximas como se fosse sua própria filha, de acordo com a Polícia Civil.

O caso terminou, nesta primeira etapa da investigação, com a localização de Ayla no bairro Santo Agostinho, Zona Oeste de Manaus, e as prisões de Jaqueline, Lucas Pereira da Silva, de 22 anos, e Wesley Nascimento Lopes, de 31 anos, na segunda-feira (10).

Promessa de fraldas teria sido usada como isca

Segundo o delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Márcia já mantinha contato com os suspeitos por aplicativo de mensagens.

Durante dias, ela teria recebido convites para comparecer a um imóvel levando apenas a recém-nascida. A promessa utilizada para convencê-la teria sido uma doação de fraldas para Ayla.

No domingo (9), Márcia foi ao endereço indicado, localizado no bairro Gilberto Mestrinho, Zona Leste de Manaus.

Conforme a investigação, após chegar ao imóvel, ela foi dopada e agredida. Em estado de desorientação, acabou separada da filha, que foi levada pelos envolvidos.

Mãe teria sofrido nova violência na Compensa

A Polícia Civil apura ainda que Márcia foi posteriormente levada para outro imóvel, desta vez no bairro Compensa, Zona Oeste.

Segundo a investigação, foi nesse endereço que Wesley Nascimento Lopes teria cometido violência sexual contra a vítima.

Depois de recuperar a consciência, Márcia conseguiu pedir ajuda a um motorista de aplicativo que estava no endereço e solicitou que ele a levasse até a residência de sua mãe.

Após contar o que havia acontecido, ela procurou a DEHS acompanhada do companheiro e registrou a ocorrência, dando início às buscas pela recém-nascida.

Jaqueline dizia que havia acabado de dar à luz

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o comportamento atribuído a Jaqueline antes e durante o desaparecimento da criança.

De acordo com Ricardo Cunha, a suspeita vinha afirmando para familiares, amigos e outras pessoas próximas que estava grávida e, posteriormente, que havia acabado de dar à luz.

“Ela informou para todo mundo que estava grávida e que havia acabado de dar à luz uma criança”, relatou o delegado.

A investigação aponta ainda que Jaqueline teria compartilhado fotografias de Ayla com pessoas próximas, apresentando a bebê como se fosse sua filha.

Ayla foi abandonada no Santo Agostinho

Em meio às buscas, Ayla foi encontrada na tarde de segunda-feira (10), abandonada em via pública no bairro Santo Agostinho.

Um casal localizou a recém-nascida e acionou a Polícia Militar do Amazonas (PMAM). A criança foi encaminhada para atendimento médico e, posteriormente, entregue aos cuidados da mãe.

No mesmo dia, Jaqueline, Lucas Pereira e Wesley foram presos em diferentes pontos de Manaus.

Motivação ainda é investigada

Apesar das prisões, uma questão central permanece sem resposta: qual seria a finalidade de retirar Ayla dos braços da mãe?

Uma das hipóteses apuradas pela Polícia Civil envolve uma eventual relação com tráfico humano. O delegado Ricardo Cunha, entretanto, ressaltou que essa possibilidade ainda não está confirmada e dependerá do avanço do inquérito.

“Essa motivação em si, se ela iria ver um tráfico humano depois, posteriormente, isso vai ser dirimido no inquérito policial”, afirmou.

Segundo a Polícia Civil, os três investigados deverão responder por cárcere privado e subtração de menor. Wesley também deverá responder pela acusação relacionada à violência sexual. Os suspeitos permanecem à disposição da Justiça e deverão passar por audiência de custódia.

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