
Entre os dias 3 e 5 de março, foi realizado, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, o 1º Encontro Pan-Amazônico sobre Cultura, Uso e Manejo do Fogo, que reuniu diversas instituições do Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador para debater o tema.
Um dos principais objetivos do evento foi compartilhar experiências e conhecimentos entre os países, por meio do intercâmbio, tendo como tema central o Manejo Integrado do Fogo (MIF). O encontro buscou reconhecer as dimensões culturais, produtivas e ecológicas, fortalecendo a cooperação entre territórios e países em torno do manejo do fogo. Entre os participantes, estiveram pesquisadores, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, representantes do governo da Bolívia, organizações da sociedade civil e institutos de pesquisa.
Por meio de rodas de conversa, apresentações de painéis e grupos de trabalho, foram compartilhadas experiências territoriais, práticas comunitárias de uso, manejo e cultura do fogo, desafios, estratégias de prevenção e resposta a incêndios, assim como resultados de experiências institucionais e de pesquisas em diferentes contextos amazônicos. As discussões destacaram a importância de integrar conhecimentos tradicionais sobre cultura, uso e manejo do fogo aos conhecimentos técnico-científicos.
Entre as discussões do evento, destacou-se também a importância de fortalecer políticas públicas, pesquisas e a governança territorial relacionadas ao manejo do fogo. Como um dos principais resultados, foi formado um Comitê Executivo, composto por técnicos, pesquisadores e lideranças dos territórios de diversos países, que dará continuidade aos diálogos e às articulações regionais na Pan-Amazônia.
Durante o evento, o Instituto Mamirauá apresentou experiências relacionadas ao uso e ao manejo controlado do fogo, comumente utilizados nos territórios do Médio Solimões por agricultores familiares de comunidades tradicionais, em atividades agrícolas e na abertura de áreas de roçado. Também foram compartilhadas práticas voltadas ao não uso do fogo, como a implantação e o manejo de sistemas agroflorestais e de roçados sem queima, desenvolvidas pela equipe técnica institucional, integrando conhecimentos técnico-científicos às práticas tradicionais de comunidades ribeirinhas. Essas iniciativas são resultado de anos de atuação do Instituto junto a agricultores familiares.
A participação também possibilitou a troca de experiências com outros países da Pan-Amazônia e o acesso a novas abordagens, como a ampliação de conhecimentos sobre as potencialidades do manejo integrado do fogo, ampliando perspectivas para futuras iniciativas na região.
“O evento foi fundamental para ampliar o diálogo com outras realidades da Pan-Amazônia e refletir sobre caminhos possíveis para a nossa região. Atuamos há anos com alternativas ao uso do fogo e com a valorização das práticas tradicionais, mas esse intercâmbio trouxe novas perspectivas, especialmente no contexto de emergência climática e das secas extremas que impactaram fortemente as comunidades nos últimos anos”, explicou Fernanda Viana, coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá.
A realização do encontro contou com o apoio da Rede BioAmazônia, que tem atuado na articulação entre instituições de pesquisa, organizações e países da região, para fortalecer a cooperação científica e o intercâmbio de experiências na Pan-Amazônia. A iniciativa reforça a importância de ações integradas e do trabalho em rede para o desenvolvimento de estratégias sustentáveis relacionadas ao uso e ao manejo do fogo no bioma amazônico.
Com iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o evento teve como principais realizadores a Rede BioAmazônia e o Centro de Pesquisa Florestal Internacional e o Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal (CIFOR-ICRAF), com apoio do Global Fire Management Hub, além da participação do Instituto Boliviano de Investigação Florestal (IBIF) e da Sociedade Peruana de Direito Ambiental (SPDA).
Sobre o Instituto Mamirauá
O Instituto Mamirauá é uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que atua por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social na Amazônia, tendo como linhas de ação principais a aplicação da ciência, tecnologia e inovação na conservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica, bem como a construção e consolidação de tecnologias sociais e programas de manejo em parceria com comunidades tradicionais.







