O Mar Morto, um lago sem saída para o mar, com alta concentração de sal, limitado pela Jordânia a leste e pela Cisjordânia ocupada por Israel e Israel a oeste, visto da Jordânia • Leisa Tyler/LightRocket via Getty Images

O Mar Morto, localizado entre Israel, Jordânia e territórios palestinos, enfrenta uma das maiores crises ambientais de sua história. Considerado o ponto mais baixo da Terra e um dos corpos d’água mais salgados do mundo, o local vem registrando uma redução acelerada em seu volume, consequência da ação humana e das mudanças climáticas.

De acordo com especialistas, o nível da água recua cerca de 1,2 metro por ano. Nas últimas cinco décadas, a superfície do Mar Morto diminuiu aproximadamente um terço, transformando drasticamente a paisagem da região.

Além de revelar extensas áreas cobertas por cristais de sal, o recuo das águas tem provocado o surgimento de milhares de dolinas — crateras que se formam quando camadas subterrâneas de sal são dissolvidas pela infiltração de água doce. Atualmente, mais de 6 mil dessas formações já foram registradas ao redor do lago.

Ação humana acelera a degradação

Especialistas apontam que a principal causa da redução do Mar Morto é a diminuição do fluxo de água proveniente do Rio Jordão, sua principal fonte de abastecimento.

Historicamente, o rio transportava cerca de 1,3 bilhão de metros cúbicos de água por ano para o Mar Morto. Hoje, esse volume foi reduzido para aproximadamente 100 milhões de metros cúbicos, devido à construção de barragens e ao desvio de água para abastecimento humano, agricultura e pecuária.

Outro fator considerado decisivo é a exploração industrial de minerais. Empresas de Israel e da Jordânia utilizam grandes quantidades de água do Mar Morto para extrair potássio, magnésio e outros minerais destinados à fabricação de fertilizantes e produtos industriais.

Mudanças climáticas agravam cenário

As mudanças climáticas também contribuem para o problema. O aumento das temperaturas, aliado à redução das chuvas e ao prolongamento dos períodos de seca, acelera a evaporação da água e dificulta a recuperação natural do ecossistema.

Com a crescente concentração de sal, o Mar Morto também passa por alterações químicas. O excesso de sal dissolvido tem gerado formações cristalinas cada vez mais frequentes, criando estruturas naturais que lembram cogumelos, cúpulas e colunas submersas.

Turismo e economia sofrem impactos

A formação de crateras já provocou o fechamento de praias, áreas turísticas e empreendimentos localizados às margens do Mar Morto.

Um dos exemplos mais conhecidos é a antiga praia de Ein Gedi, que foi abandonada após o surgimento de dezenas de dolinas. Estruturas como restaurantes, postos de combustível e áreas de lazer ficaram inutilizadas devido ao avanço do fenômeno.

Empresários e moradores convivem com a incerteza sobre o futuro da região. Operadores turísticos relatam que precisam monitorar constantemente o surgimento de novas crateras para garantir a segurança dos visitantes.

Soluções enfrentam desafios

Diversos projetos vêm sendo discutidos para tentar frear a deterioração do Mar Morto. Entre eles está a proposta de transportar água do Mar Vermelho por meio de um sistema de dessalinização e dutos, iniciativa que exigiria investimentos bilionários e cooperação entre países da região.

Outra alternativa seria aumentar o fluxo de água do Rio Jordão e reduzir o consumo industrial. No entanto, especialistas destacam que a escassez hídrica regional e os interesses econômicos dificultam a implementação dessas medidas.

Organizações ambientais alertam que restaurar o Mar Morto aos níveis registrados décadas atrás pode ser inviável. O principal objetivo, segundo pesquisadores, deve ser estabilizar sua degradação e impedir perdas ainda maiores.

Enquanto governos e especialistas discutem soluções, o Mar Morto continua encolhendo ano após ano, colocando em risco um dos patrimônios naturais mais emblemáticos do planeta.

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