
O engenheiro civil e ex-secretário da Unidade Gestora de Projetos (UGP), Marcellus Campêlo, relembrou pela primeira vez de forma mais detalhada os impactos pessoais e políticos da prisão ocorrida em junho de 2021, durante a pandemia da Covid-19, quando ocupava o comando da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM).
Pré-candidato a deputado estadual, Marcellus participou nesta quarta-feira (6) do programa De Cara com o Fato, apresentado por Elcimar Freitas e Carlos Santiago, no portal Fato Amazônico, onde afirmou ter vivido um dos períodos mais difíceis de sua trajetória pública, classificando a prisão como uma “grande injustiça”.
Ao responder questionamento de Carlos Santiago sobre o episódio, Campêlo afirmou que recebeu a notícia da prisão com surpresa e indignação, principalmente pelo contexto enfrentado pelo Amazonas durante a crise sanitária. Segundo ele, o foco da equipe era salvar vidas em meio ao colapso na rede de saúde.
“Foi uma grande surpresa. Naquele momento eu não entendia o porquê daquilo estar acontecendo. Nós trabalhamos muito para salvar vidas. Era nítido que aquilo era uma injustiça, um engano, um equívoco”, declarou.
Durante a entrevista, Marcellus ressaltou que, ao longo dos últimos anos, respondeu a centenas de processos relacionados à pandemia e afirmou ter sido inocentado em todos eles. O ex-secretário destacou ainda que sequer chegou a ser réu em uma das operações em que foi alvo.
“Eu sequer fui denunciado pelo Ministério Público. Meu nome sequer aparece no relatório da Polícia Federal. Tamanha injustiça”, afirmou.
Campêlo também declarou que o episódio mudou sua visão sobre a vida pública e sobre o funcionamento das instituições. Segundo ele, a experiência o tornou “mais forte, mais humano e mais sereno”.
“Hoje eu agradeço tudo o que vivi. Isso me fez uma pessoa mais forte, mais humana, capaz de compreender mais e perdoar mais”, disse.
O ex-secretário afirmou ainda que atravessou o período de acusações e investigações com amadurecimento pessoal e político.
“Então, hoje eu estou muito tranquilo, sou uma pessoa serena, sou uma pessoa mais forte, mais capaz e mais sabedor de que eu posso fazer muito mais ainda e tenho muita coisa pra oferecer pro meu estado”, completou.
Durante a entrevista, Marcellus revelou ainda que passou por um processo profundo de reflexão espiritual enquanto esteve preso. Segundo ele, o episódio o levou a enxergar a situação de forma diferente e a compreender que outras figuras históricas também enfrentaram perseguições e injustiças.
“Nos cinco dias que vivi aquele momento lá, eu refleti muito. Fazendo minhas orações, minhas preces e minha conexão espiritual, percebi que eu não poderia reclamar daquele momento. Temos muitos personagens da história que foram presos injustamente, como Martin Luther King, Nelson Mandela, Joana D’Arc e até Jesus Cristo, que foi preso, torturado e crucificado injustamente”, afirmou.
O ex-secretário disse ainda que decidiu enfrentar o episódio de forma serena e sustentou que, na avaliação dele, havia um contexto político por trás das investigações conduzidas naquele período.
“Quem é Marcellus Campêlo diante dessas pessoas para reclamar de injustiça? Eu tinha que passar aquilo de forma serena, confiando na Justiça como um todo. Eu sabia que certamente eu não era o alvo final. Talvez o Marcellus estivesse no meio do caminho. O alvo era o governador Wilson Lima”, declarou.
A entrevista ocorreu poucos dias após a Justiça Federal da 1ª Região absolver o ex-vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida Filho, além de ex-secretários estaduais da Saúde e dirigentes ligados ao contrato de gestão do Hospital Delphina Aziz e da UPA Campos Salles, firmado em 2019.
Além de Marcellus Campêlo, foram absolvidos Rodrigo Tobias de Souza Lima, Simone Papaiz, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano e o dirigente José Carlos Rizoli. A decisão também rejeitou pedido do Ministério Público Federal que apontava suposto prejuízo de R$ 32 milhões aos cofres públicos.







