
O Superior Tribunal de Justiça decidiu manter a prisão de Ademar Farias Cardoso Neto, irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja Cardoso, morta em 2024. A decisão foi assinada pelo ministro Sebastião Reis Júnior e divulgada inicialmente pelo portal Amazonas Atual.
A defesa tentava reverter a prisão preventiva alegando demora excessiva na tramitação do processo após a anulação da condenação anterior. Os advogados sustentaram que Ademar estaria preso sem justificativa atual e defenderam a aplicação de medidas cautelares alternativas.
No entanto, o ministro entendeu que o pedido não apresentava elementos suficientes para derrubar a decisão da Justiça do Amazonas. Segundo ele, o Tribunal de Justiça do Amazonas apontou fundamentos concretos para manter Ademar detido, entre eles a gravidade dos fatos investigados e a suposta estrutura do grupo investigado.
Na avaliação do magistrado, a complexidade da ação penal, o número de envolvidos e o estágio processual afastam, neste momento, a tese de excesso de prazo levantada pela defesa.
O caso ganhou notoriedade após a morte de Djidja Cardoso, episódio que ampliou as investigações da Polícia Civil sobre a suposta venda irregular de cetamina, substância de uso controlado conhecida também como ketamina.
Em primeira instância, Ademar e outros investigados chegaram a ser condenados por tráfico de drogas e associação para o tráfico. A decisão judicial da época fixou penas superiores a dez anos de prisão para parte dos réus.
Apesar disso, a condenação acabou anulada em 2025 pela Primeira Câmara Criminal do TJAM. Os desembargadores concluíram que houve violação ao direito de defesa porque o laudo toxicológico definitivo foi anexado ao processo somente após a apresentação das alegações finais da defesa.
O colegiado também destacou que não havia laudo preliminar anexado nos autos antes da sentença, situação considerada irregular pelos magistrados.
Mesmo com a anulação da condenação, Ademar segue preso preventivamente enquanto o processo continua em tramitação. O STJ também pediu novas informações ao juízo responsável e ao tribunal estadual sobre o andamento da ação.
A defesa de Cleusimar de Jesus Cardoso, mãe de Djidja, também ingressou com pedido semelhante de liberdade, mas até esta quarta-feira (6) ainda não havia decisão sobre o caso.







