O ex-deputado federal Marcelo Ramos (PT) anunciou que está fora da disputa eleitoral de 2026 após receber um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à jornalista Rosiene Carvalho, Ramos revelou que conversou pessoalmente com o chefe do Executivo e decidiu retirar sua pré-candidatura ao Senado para evitar desgastes na base aliada e preservar a estratégia nacional do PT.

Segundo Marcelo Ramos, a orientação de Lula foi clara: diante da composição política construída nacionalmente entre PT e MDB, não haveria espaço para uma candidatura petista ao Senado no Amazonas. O ex-deputado afirmou que, apesar de considerar que sua candidatura seria o melhor caminho para o partido no Estado, optou por atender ao apelo do presidente.

“Eu não tenho como confrontar o presidente Lula, que é o líder maior do meu partido. Recuar, às vezes, também é um ato de luta”, declarou.

Com a decisão, Ramos confirmou que ficará completamente fora das urnas neste ano. Além de desistir da corrida ao Senado, ele descartou disputar uma vaga de deputado federal ou qualquer outro cargo eletivo.

O petista afirmou que concentrará sua atuação exclusivamente na campanha pela reeleição de Lula e no fortalecimento das candidaturas do PT e dos partidos aliados no Amazonas.

Durante a entrevista, Marcelo ressaltou que desde o início de sua pré-campanha havia deixado claro que sua prioridade política sempre foi garantir um novo mandato para o presidente da República. Segundo ele, diante da decisão da direção nacional do partido, prolongar o impasse apenas provocaria uma crise interna desnecessária.

“Lutei até onde pude lutar. Continuo entendendo que o correto era manter a candidatura ao Senado, mas não posso criar uma tensão dentro do partido nem confrontar aquele que é o nosso maior líder”, afirmou.

Aliança nacional pesou na decisão

A desistência de Marcelo Ramos ocorre em meio às articulações nacionais para fortalecer a base de apoio à reeleição de Lula. O entendimento entre PT e MDB no Amazonas favorece o projeto político do senador Eduardo Braga (MDB), considerado um dos principais aliados do presidente no Estado.

Ramos afirmou que recebeu o pedido diretamente de Lula na quinta-feira (23) e decidiu comunicar a decisão inicialmente à família e à militância petista antes de torná-la pública.

O ex-deputado também revelou que o presidente chegou a mencionar um projeto político para o futuro, mas preferiu adiar qualquer discussão sobre novos planos, concentrando toda sua atenção na eleição presidencial de 2026.

Fora das urnas, mas na campanha

Ao anunciar sua saída da disputa, Marcelo Ramos agradeceu o apoio recebido durante a pré-campanha e reafirmou que continuará participando ativamente da mobilização eleitoral.

Segundo ele, sua atuação será voltada à campanha nacional do PT, à defesa da reeleição de Lula e ao fortalecimento das candidaturas da base governista.

Ramos lembrou ainda que, em 2024, também atendeu a um pedido pessoal de Lula para disputar a Prefeitura de Manaus e afirmou que mantém uma relação de confiança e lealdade política com o presidente.

Mesmo reconhecendo que a decisão foi difícil, disse acreditar que preservar a unidade do partido e da base aliada é, neste momento, mais importante do que manter sua candidatura.

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