
Novas mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil colocam o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, no centro de uma polêmica envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As conversas indicam que o banqueiro determinou prioridade máxima aos aportes destinados ao projeto mesmo em um período em que enfrentava dificuldades financeiras e acumulava mais de R$ 55 milhões em pagamentos pendentes.
O conteúdo divulgado mostra que a mudança de tratamento ao projeto ocorreu após uma cobrança direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que buscava acelerar a liberação de recursos para manter o cronograma da produção cinematográfica.
De acordo com a reportagem, em 20 de janeiro de 2025, o empresário Thiago Miranda, apontado como elo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, procurou o banqueiro para alertar sobre o prazo do primeiro aporte financeiro destinado ao filme. Na mensagem, encaminhou ainda um pedido atribuído ao senador, que solicitava agilidade na análise jurídica necessária para liberar os recursos.
A partir daquele momento, o projeto passou a ocupar posição de destaque nas preocupações do controlador do Banco Master.
As mensagens mostram que, enquanto a equipe financeira lidava com uma lista de compromissos que somava R$ 55,5 milhões em pagamentos pendentes, Vorcaro demonstrou especial interesse em saber se os valores destinados ao filme já haviam sido liberados. Ao descobrir que o projeto sequer estava entre as prioridades da área financeira, o banqueiro reagiu de forma enfática.
“Esse é o mais importante disparado”, escreveu em uma das mensagens divulgadas. Em seguida, reforçou a orientação ao afirmar que o pagamento “não poderia falhar mais”.
A revelação ganha relevância porque ocorre em um contexto delicado para o Banco Master. Segundo a própria reportagem, naquele período o Banco Central já acompanhava de perto a situação financeira da instituição, cobrando medidas relacionadas à liquidez e à capitalização da empresa. Paralelamente, o grupo buscava alternativas para fortalecer seu caixa e garantir a continuidade das operações.
Mesmo diante desse cenário, as conversas indicam que os recursos destinados ao filme receberam tratamento preferencial dentro da estrutura financeira comandada por Vorcaro.
A investigação também aponta o tamanho do investimento planejado para a produção. Documentos obtidos anteriormente pelo Intercept revelam que o projeto previa quase US$ 24 milhões em aportes, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época. Até maio de 2025, segundo a publicação, pelo menos US$ 10,6 milhões já haviam sido transferidos ao fundo Havengate, responsável pela produção do longa.
O fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente.
As novas revelações ampliam os questionamentos sobre a relação entre integrantes da família Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que já vinha sendo alvo de investigações e controvérsias envolvendo o Banco Master. As mensagens sugerem que o projeto cinematográfico ocupava posição estratégica dentro das prioridades financeiras do banqueiro, mesmo em um momento marcado por dificuldades de caixa e pela necessidade de administrar dezenas de milhões de reais em obrigações pendentes.
Procurados pelo Intercept Brasil para comentar o conteúdo das mensagens, Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro, Thiago Miranda, Fabiano Zettel e Paulo Calixto não teriam respondido aos questionamentos até a publicação da reportagem.







