Michelle Bolsonaro ao lado da professora Maria do Carmo, pré-candidata ao Governo do Amazonas pelo PL. A ex-primeira-dama foi uma das principais articuladoras da candidatura nos bastidores da legenda.

Mesmo afastada das viagens pelo país para acompanhar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o período de prisão domiciliar, Michelle Bolsonaro ampliou sua atuação política dentro do PL e passou a exercer influência direta na definição de candidaturas estratégicas para as eleições de 2026. A informação é da jornalista Luísa Marzullo, em reportagem publicada pelo jornal O Globo.

De acordo com a publicação, a ex-primeira-dama transformou a atuação remota em uma ferramenta política e vem participando de encontros partidários por videochamadas, transmissões ao vivo e articulações digitais com lideranças espalhadas pelo Brasil. O objetivo principal é fortalecer o PL Mulher e ampliar a presença feminina na Câmara dos Deputados.

Mas uma das revelações que mais chamou atenção nos bastidores políticos envolve justamente o Amazonas.

Segundo O Globo, Michelle atuou diretamente para consolidar a pré-candidatura da professora Maria do Carmo ao Governo do Amazonas, transformando o projeto em uma das prioridades políticas da legenda no estado. A reportagem afirma ainda que a ex-primeira-dama trabalhou para superar resistências internas e chegou a convencer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a embarcar na candidatura, que inicialmente enfrentava divergências dentro do partido.

O movimento é apontado como mais um exemplo da crescente influência de Michelle nas decisões estratégicas da legenda, inclusive em espaços tradicionalmente ocupados por aliados mais próximos dos filhos do ex-presidente.

A reportagem destaca que, mesmo sem percorrer o país como fazia anteriormente, Michelle nunca esteve tão ativa nos bastidores do PL. Sua principal meta é eleger uma bancada feminina robusta para o Congresso Nacional, com pelo menos 20 parlamentares alinhadas ao projeto político do partido.

Para isso, ela passou a participar pessoalmente da montagem de chapas em diversos estados. Além do Amazonas, Michelle atua em articulações políticas em Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Distrito Federal e Ceará, influenciando diretamente a definição de candidaturas para a Câmara dos Deputados, Senado e governos estaduais.

O avanço da ex-primeira-dama também tem provocado reflexos dentro do próprio grupo bolsonarista. Conforme relata O Globo, a construção dessas alianças e candidaturas abriu uma disputa silenciosa com o entorno do senador Flávio Bolsonaro sobre os rumos políticos do grupo liderado por Jair Bolsonaro.

O Ceará tornou-se um dos principais exemplos desse embate. Enquanto aliados de Flávio defendem aproximação com determinadas lideranças locais, Michelle passou a apoiar nomes diferentes e a construir seu próprio espaço de influência dentro do partido.

A publicação revela ainda que o distanciamento político entre Michelle e Flávio Bolsonaro aumentou nos últimos meses. Interlocutores ouvidos pelo jornal afirmam que a ex-primeira-dama não pretende assumir papel de destaque em uma eventual campanha presidencial do enteado e que a relação entre ambos se deteriorou após divergências políticas e disputas internas travadas nos últimos anos.

Mesmo cuidando pessoalmente de Jair Bolsonaro durante sua recuperação de saúde e cumprimento da prisão domiciliar, Michelle segue ampliando sua presença nas decisões estratégicas do PL. E, segundo a reportagem de O Globo, sua atuação já influencia diretamente os rumos eleitorais em estados considerados prioritários para o partido, como o Amazonas.

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