A decisão de suspender uma medida protetiva contra o próprio companheiro, menos de um mês antes de ser assassinada, passou a ser um dos principais focos da investigação sobre a morte de Carolina Lisboa da Cruz, de 27 anos, no município de Barrinha, no interior de São Paulo.

O comerciante Anderson Vieira Bastos, apontado pela polícia como autor do feminicídio, foi preso em flagrante na manhã de sábado (9). Ele é suspeito de matar a companheira com golpes na cabeça dentro do bar onde trabalhava.

Segundo a Polícia Civil, o suspeito deverá passar por audiência de custódia nesta segunda-feira (11). Até o momento, a defesa dele não foi localizada.

Histórico de agressões

As investigações apontam que o relacionamento do casal era marcado por episódios recorrentes de violência doméstica. Carolina já havia denunciado o companheiro anteriormente e chegou a conseguir uma medida protetiva com base na Lei Maria da Penha.

A decisão judicial obrigava Anderson Bastos a manter distância da vítima e proibia qualquer tipo de contato. No entanto, no mês passado, a própria mulher solicitou a revogação da proteção.

Antes disso, ainda no início deste ano, a Polícia Civil chegou a pedir a prisão preventiva do investigado por descumprimento da medida protetiva. O pedido, porém, foi negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

De acordo com os investigadores, situações semelhantes são frequentes em casos de violência doméstica, quando fatores emocionais, dependência afetiva e pressões externas acabam levando vítimas a desistirem das medidas judiciais.

Crime segue sob investigação

O feminicídio ocorreu poucos dias após a retirada da proteção judicial. Agora, a Polícia Civil trabalha para esclarecer a dinâmica do crime e reunir provas para responsabilizar o suspeito.

As autoridades reforçaram que a suspensão de medidas protetivas pode aumentar significativamente os riscos enfrentados por vítimas em relacionamentos abusivos.

O caso é tratado como feminicídio, crime caracterizado quando o assassinato ocorre em contexto de violência doméstica ou motivado pela condição de gênero da vítima.

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