
O jornalista Jefferson Coronel, que integrou a equipe de campanha da candidata derrotada ao Governo do Amazonas, Professora Maria do Carmo (PL), negou ter participado da produção de um vídeo que teria motivado a reação do governador eleito Omar Aziz (PSD), após a vitória no segundo turno das eleições, neste domingo (25). Em transmissão ao vivo nas redes sociais, nesta segunda-feira (26), Jefferson afirmou que sequer assistiu ao material e revelou ter enviado um áudio ao senador para esclarecer sua participação na campanha.
A manifestação ocorreu depois de Omar anunciar, durante entrevista coletiva no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), que seus advogados ingressariam com medidas judiciais contra Maria do Carmo, Jefferson Coronel e outras pessoas que acusa de terem promovido ataques envolvendo sua filha menor de idade durante a disputa eleitoral.
“Eu quero eles na cadeia! E não vou medir esforços para fazer isso, porque bárbaros, criminosos, têm que tá enjaulados”, declarou Omar na noite de domingo.
Ao comentar a declaração, Jefferson sustentou que houve um equívoco na interpretação de seu papel na campanha e afirmou que jamais produziria conteúdo destinado a atingir familiares de adversários políticos.
“Esse episódio que surgiu, surge de uma má interpretação, de um equívoco com relação ao que eu poderia ter produzido”, afirmou.
“Eu não vi esse vídeo”, afirma Jefferson
Um dos momentos mais enfáticos da transmissão ocorreu quando Jefferson negou qualquer participação na elaboração do material audiovisual mencionado por Omar.
Segundo ele, sua contratação pela campanha de Maria do Carmo tinha duas funções específicas: coordenar a assessoria de imprensa e auxiliar a candidata na preparação para os debates eleitorais.
“Eu não fui contratado para ser o marqueteiro da campanha da Maria do Carmo. Eu fui contratado para cuidar da assessoria de imprensa e ajudar nos treinamentos dela para debates”, explicou.
Jefferson afirmou que não tinha acesso antecipado aos programas eleitorais, comerciais ou roteiros produzidos pela equipe de marketing.
“Eu não tive acesso a nenhum dos filmes, dos vídeos ou dos programas que foram exibidos durante a campanha, a nenhum antecipadamente, a nenhum! Não era o meu papel”, declarou.
O jornalista também afirmou que não chegou a assistir ao vídeo específico que teria provocado a indignação do governador eleito.
“Eu não vi o vídeo. O vídeo deve… Vídeo foi feito pelo que eu sei para o comercial, foi para a TV e o TRE, acho que a pedido do jurídico do Omar, tirou do ar”, disse.
Jefferson ressaltou que não pretende discutir publicamente o conteúdo da peça, especialmente diante da possibilidade de judicialização do episódio.
Jefferson revela que enviou áudio a Omar Aziz
Durante a transmissão, Jefferson também revelou que procurou Omar Aziz por meio de uma mensagem de áudio para apresentar sua versão dos fatos.
Segundo o jornalista, a iniciativa não teve como objetivo pedir que o governador eleito desistisse de eventuais medidas judiciais, mas esclarecer o que considera um mal-entendido.
“Eu mandei um áudio para o Omar explicando a situação, dizendo: ‘Olha, não tô te pedindo nada, não vou pedir’”, relatou.
Jefferson afirmou que Omar não respondeu à mensagem, embora acredite que o áudio tenha sido ouvido.
“Ele não me respondeu o áudio, e eu respeito isso também, mas aparece lá azulzinho, acho que ele ouviu”, declarou.
Apesar da situação, o jornalista afirmou que mantém respeito pelo governador eleito e reconhece seu direito de procurar a Justiça.
“Não tiro aqui o direito, óbvio que não, não sou nenhuma criança, do Omar contestar e ir para a Justiça. Se for para a Justiça, o máximo que eu posso fazer é me defender”, afirmou.
“Se alguém colocou na cabeça dele que eu produzi um vídeo maldoso, tá errado”
Jefferson também contestou diretamente qualquer informação que o aponte como responsável pela produção de conteúdo ofensivo contra Omar ou seus familiares.
“Se ele não sabia, ou alguém colocou na cabeça dele que eu produzi um vídeo, produzi um conteúdo maldoso, tá errado. Tá errado, digo isso aqui e digo isso até o último dia da minha vida porque tá errado, eu não faço isso”, declarou.
O jornalista destacou que trabalhou com Omar Aziz durante vários anos, inclusive na campanha eleitoral de 2014, e afirmou que a relação profissional sempre foi marcada pelo respeito.
Jefferson disse que integrou equipes ligadas a Omar até novembro de 2019 e que conhece o governador eleito desde a década de 1980.
“Eu sempre tratei ele com extremo respeito. Extremo respeito. Ele e todo mundo”, afirmou.
Jornalista diz estar tranquilo e não teme eventual processo
Questionado sobre a possibilidade de responder judicialmente pelas acusações, Jefferson afirmou que está tranquilo e que pretende manter sua rotina.
“Não tenho medo de nada, não tenho receio, tenho minha consciência absolutamente tranquila”, declarou.
Ele também afirmou que não pretende procurar os responsáveis pela produção do vídeo para identificar sua autoria, argumentando que o assunto poderá ser analisado pela Justiça.
“Não era meu papel, não era minha missão, não era minha função na campanha fazer vídeos, produzir roteiros, avaliar vídeos”, reforçou.
Jefferson disse ainda que não pretende comentar se o conteúdo foi correto ou inadequado, por considerar que qualquer avaliação pública poderia interferir em uma eventual ação judicial.
Jefferson reconhece vitória de Omar e deseja bom governo
Apesar da controvérsia, Jefferson Coronel reconheceu o resultado das urnas e afirmou esperar que Omar Aziz realize uma boa administração à frente do Governo do Amazonas.
“Acho que a eleição teve o resultado incontestável. Espero que o Omar faça um grande governo, é uma pessoa experiente, é uma pessoa que tem tarimba”, declarou.
O jornalista destacou que conhece a trajetória política de Omar e reconhece sua experiência administrativa.
Jefferson também afirmou que a participação na campanha de Maria do Carmo chegou ao fim e que pretende retomar suas atividades jornalísticas.
Omar anunciou medidas judiciais após vitória nas urnas
A manifestação de Jefferson ocorreu após a entrevista coletiva concedida por Omar Aziz na noite de domingo (25), na sede do TRE-AM, em Manaus.
Na ocasião, o governador eleito afirmou que sua família sofreu ataques durante a campanha e demonstrou indignação com a utilização de sua filha menor de idade na disputa política.
Omar anunciou que sua equipe jurídica pediria a responsabilização dos envolvidos, inclusive com solicitações de prisão, por supostas violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A declaração de Omar representa o anúncio de uma iniciativa judicial, e não uma decisão da Justiça sobre a responsabilidade das pessoas mencionadas.
Jefferson Coronel, por sua vez, nega envolvimento na produção do material questionado e afirma que está disposto a apresentar sua defesa caso seja acionado judicialmente.







