No nono dia de fumaça provocada pelo incêndio no lixão a céu aberto de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, o líder comunitário Benedito Leite fez um apelo para que moradores afetados se mobilizem e cobrem providências das autoridades. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (21), ele afirma que há pessoas adoecendo e até deixando suas casas por causa da situação.

Gravado nas proximidades do lixão, o vídeo mostra Benedito convocando moradores de Iranduba e das comunidades próximas que se consideram prejudicados pela fumaça para uma mobilização.

“Você que tem interesse, você que tá sendo prejudicado, estamos aguardando vocês aqui no nosso QG, aqui próximo da lixeira hoje, às 10h da manhã, para nós tomarmos uma decisão para que nós possamos cobrar os nossos representantes”, afirmou.

O líder comunitário também voltou a cobrar do prefeito de Iranduba a decretação de estado de calamidade pública diante dos impactos provocados pelo incêndio.

“Hoje é o nono dia e até agora o prefeito não decretou estado de calamidade pública aqui pro nosso município”, criticou.

“Muitas pessoas estão ficando doentes”

Um dos pontos mais fortes do relato é a afirmação de Benedito de que os efeitos da fumaça já estariam alterando a rotina de moradores. Segundo ele, algumas pessoas estariam procurando atendimento em Manaus e outras teriam decidido deixar temporariamente suas residências.

“Muitas pessoas estão ficando doentes, pessoas estão indo para Manaus, pessoas estão deixando suas casas”, afirmou.

Benedito classificou ainda a situação como “algo criminoso” e criticou o que considera falta de resposta adequada das autoridades. A declaração representa a avaliação do líder comunitário sobre o episódio.

O incêndio começou no dia 13 de agosto e, nesta sexta-feira (21), completa nove dias com relatos de fumaça atingindo áreas próximas ao lixão.

MP abre procedimento para investigar incêndio

Enquanto moradores cobram respostas, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou notícia de fato para apurar as causas do incêndio e os possíveis impactos da fumaça sobre a saúde da população e o meio ambiente.

O procedimento também busca acompanhar e cobrar providências dos órgãos públicos diante do incêndio no lixão.

A apuração é conduzida pela 1ª Promotoria de Justiça de Iranduba, com apoio da 2ª Promotoria e do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Especializadas na Defesa do Meio Ambiente, Patrimônio Histórico e Urbanismo.

Como parte das diligências, o Ministério Público requisitou informações ao Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), defesas civis estadual e municipal, Prefeitura de Iranduba e secretarias municipais de Saúde e Assistência Social.

Prefeitura já foi multada

A crise ambiental também resultou em sanção administrativa. A Prefeitura de Iranduba foi multada pelo Ipaam em R$ 2,5 milhões por poluição atmosférica decorrente da queima de resíduos.

Com a abertura do procedimento pelo Ministério Público, o incêndio passa a ser objeto de apuração também quanto às suas causas, aos prejuízos ambientais e sanitários e às medidas adotadas pelo poder público.

Enquanto as investigações avançam, Benedito Leite tenta transformar a insatisfação dos moradores em mobilização para pressionar por uma resposta ao problema.

“Estamos à disposição da população para nos manifestarmos”, afirmou o líder comunitário.

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