
A Organização das Nações Unidas afirmou nesta segunda-feira (18) que as restrições à circulação de mercadorias pelo Estreito de Ormuz podem provocar graves consequências globais, incluindo inflação, desaceleração do crescimento econômico e uma futura crise alimentar.
O alerta foi feito pelo porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq.
Segundo ele, a limitação no transporte de combustível, fertilizantes e bens humanitários representa “um enorme problema para o mundo”, principalmente para países mais vulneráveis economicamente.
ONU defende liberdade de navegação
Farhan Haq afirmou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, defende a restauração da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, conforme prevê a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Questionado sobre a criação da chamada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico pelo Irã, Haq declarou que a ONU não apoia nenhuma entidade que restrinja o acesso à hidrovia.
“Queremos garantir que não haja restrições à liberdade de navegação”, afirmou.
Irã anunciou novo órgão para controlar o estreito
O governo iraniano informou nesta segunda-feira a criação da chamada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), responsável pela gestão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Segundo publicação divulgada na rede social X, qualquer embarcação que atravesse a região precisará de coordenação prévia com autoridades iranianas.
O comunicado afirma que passagens sem autorização poderão ser consideradas ilegais.
Atualmente, o Irã permite a travessia apenas de embarcações não vinculadas a países envolvidos em ataques contra Teerã.
Tensão aumenta no Oriente Médio
O Estreito de Ormuz é considerado a rota marítima mais importante do mundo para o transporte de petróleo e gás.
As tensões aumentaram após confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã, mesmo após o cessar-fogo firmado há mais de cinco semanas.
Segundo autoridades iranianas, o país também prepara um mecanismo específico para controlar o tráfego marítimo na região e cobrar taxas de embarcações autorizadas.
Negociações seguem travadas
As negociações mediadas pelo Paquistão continuam em dificuldade.
O chanceler iraniano Abbas Araqchi afirmou que Teerã enviou uma proposta revisada aos americanos, mas disse que “mensagens contraditórias” aumentam a desconfiança sobre as intenções dos EUA.
Araqchi declarou ainda que o Irã tenta preservar o cessar-fogo para dar espaço à diplomacia, mas mantém preparação para eventual retomada do conflito.
Crise afeta mercado mundial de petróleo
A interrupção parcial do transporte marítimo no Estreito de Ormuz já provocou forte impacto nos mercados globais.
Os preços internacionais do petróleo registraram alta diante do temor de prolongamento da crise de abastecimento.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou recentemente que sua paciência com o Irã “está se esgotando” e defendeu a reabertura total da rota marítima.







