Foto de Tembela Bohle no Pexels
Foto de Tembela Bohle no Pexels

O mercado brasileiro de apostas online está em pleno auge e não para de aumentar seu peso na nova economia. Entre 2021 e abril de 2024, o número de empresas cuja atividade principal é jogos de azar e apostas online atingiu 734,6%, segundo um levantamento da Datahub divulgado pela CNN Brasil.

Um sinal claro de formalização acelerada e de um ambiente competitivo que amadureceu na esteira da regulação federal. Desde 1º de janeiro de 2025, esse crescimento passou a caminhar de mãos dadas com uma regra central. Só pode operar nacionalmente quem tem autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.

O motor do crescimento: Digitalização, Pix e calendário esportivo

A expansão tem muito de infraestrutura. O Pix virou padrão de uso no dia a dia e também nas carteiras dos sites e aplicativos, reduzindo fricções na entrada e na retirada de valores. Dados do Banco Central mostram volumes colossais e recorrentes no sistema de pagamentos instantâneos, e 2024 fechou com 63,8 bilhões de transações via Pix.

Isso está acima de cartões e outros meios, um pano de fundo que ajuda a entender a tração nas apostas. O comportamento de consumo também conta. O brasileiro migrou para o mobile, acompanha competições em tempo real e encontra oferta abundante de mercados e promoções.

Métodos de depósitos instantâneos são a preferência, então, um cassino que aceita cartão de crédito é uma opção para os brasileiros que seguem essa tendência. Essa combinação de facilidade de pagamento, portfólio amplo e calendário esportivo quase ininterrupto compõe a base do crescimento.

Há ainda o efeito-regulação. Em maio de 2024, o Ministério da Fazenda publicou a Portaria SPA/MF nº 827, que abriu o caminho do processo de autorização. Em 2024 e 2025, outras portarias detalharam sistemas, pagamentos, publicidade e jogo responsável, construindo previsibilidade para operadores e usuários.

O que a lei e as portarias mudaram na prática

O ponto de virada normativa veio com a Lei nº 14.790/2023, que disciplinou a oferta online, complementando a base de 2018 para apostas de quota fixa. Na prática, criou uma moldura para autorização, fiscalização e punição, com a SPA à frente. Desde então, as portarias da pasta detalharam os pilares.

Como a Portaria 827/2024, com regras de autorização e requisitos societários, a Portaria 722/2024, sobre funcionamento dos sistemas e fornecimento de dados ao regulador, a Portaria 615/2024, de meios de pagamento e vedações a operações “a descoberto” e, por fim, a Portaria 1.231/2024, sobre publicidade e jogo responsável.

Para o usuário, isso se traduz em sinais objetivos. O Governo Federal mantém página pública para consultar as empresas autorizadas e a própria SPA explica que apenas empresas autorizadas por ela podem operar nacionalmente desde janeiro de 2025, e que cada autorização pode contemplar até 3 marcas com domínio .bet.br.

Quem aposta no Brasil e como paga

O fenômeno não é só de oferta, há massa crítica de demanda. Em outubro de 2024, o DataSenado estimou que 13% dos brasileiros, 22,13 milhões de pessoas, apostaram nos últimos 30 dias, com predominância de homens e de faixas mais jovens. No mapa regional, Roraima e Pará apareceram acima da média, com 17% dos entrevistados declarando ter apostado no período.

O próprio site oficial da SPA e relatórios acadêmicos vêm enfatizando que regulação e transparência são o caminho para um mercado sustentável. E se falamos de pagamentos, no cotidiano, Pix tornou-se a porta de entrada mais rápida para aportes. Relatórios do Banco Central documentam o avanço do arranjo instantâneo e sua capilaridade.

Enquanto estudos baseados em dados do próprio BACEN apontam gasto mensal de dezenas de bilhões de reais em apostas online em 2024, um sinal de que a vertical deixou de ser nicho e virou hábito digital. Ainda assim, cartão de crédito permanece na cesta de meios de pagamento.

Publicidade, patrocínio e outras novidades de 2025

Com a vitrine do futebol e de influenciadores, a publicidade se tornou tema sensível. A Portaria 1.231/2024 definiu regras e diretrizes para comunicação e marketing, incluindo avisos de advertência, público-alvo e boas práticas de exibição de probabilidades.

A fase atual é de consolidação. O Ministério da Fazenda atualiza a lista de empresas autorizadas, e veículos especializados acompanham a entrada e a saída de marcas conforme decisões administrativas e judiciais.

A transparência virou protagonista. E o crescimento de mais de 700% mostra como o mercado saiu da informalidade, abraçou meios de pagamento digitais e passou a operar sob um guarda-chuva regulatório.

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