Em busca de justiça por Benício Xavier, Bruno Freitas e Joyce Xavier seguem cobrando respostas das autoridades. Quase nove meses após a morte do filho, o casal afirma que não desistirá até que todos os responsáveis sejam julgados e punidos.

Às vésperas de completar nove meses da morte do menino Benício Xavier de Freitas, os pais da criança voltaram a cobrar respostas das autoridades e afirmaram que a busca por justiça continua. Em um vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (31), Bruno Freitas e Joyce Xavier atualizaram o andamento dos processos nos conselhos de medicina e enfermagem e revelaram que o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) já instaurou processos ético-profissionais contra diversos médicos envolvidos no atendimento do menino.

Ao lado do advogado da família, Ricardo Albuquerque, os pais disseram que, até o momento, apenas medidas cautelares foram adotadas contra a médica e a técnica de enfermagem investigadas, e defenderam maior rapidez na conclusão dos procedimentos.

“Já estamos chegando a quase nove meses sem uma resposta concreta. Até agora, apenas medidas cautelares foram tomadas em relação à médica e à técnica que resultou na partida do nosso filho Benício”, afirmou Joyce Xavier.

Segundo o advogado, além da investigação criminal, a família acompanha de perto a responsabilização ética dos profissionais perante o CRM-AM e o Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM).

Ricardo Albuquerque explicou que o CRM instaurou inicialmente uma sindicância por iniciativa própria para apurar possível erro médico. Paralelamente, após analisar o prontuário hospitalar, a família também apresentou uma denúncia formal ao conselho.

De acordo com ele, a sindicância concluiu pela existência de diversos indícios de erros médicos considerados graves e gravíssimos durante todo o atendimento prestado à criança no Hospital Santa Júlia, o que motivou a abertura de processos ético-profissionais contra vários médicos.

“O Conselho Regional de Medicina abriu um processo ético-profissional contra diversos médicos. Eles irão responder ao processo e nós vamos buscar as devidas sanções. Desde o início, inclusive, estamos pedindo a pena de cassação, porque foi uma situação extremamente grave que ceifou a vida de uma criança”, declarou o advogado.

Em relação ao Coren-AM, Albuquerque informou que o procedimento ainda se encontra na fase de sindicância e que o processo ético-profissional contra a técnica de enfermagem ainda não foi instaurado. Segundo ele, a família continuará acompanhando a apuração e divulgará novos desdobramentos quando houver avanço.

Os pais de Benício também fizeram um apelo para que os órgãos responsáveis acelerem a tramitação dos processos.

“Eu e a Joyce continuamos cobrando respostas e pedindo ao CRM Amazonas, ao Conselho Federal de Medicina e ao Coren-AM que os processos tenham celeridade e julgamentos no rigor da lei. Sabemos que nada trará nosso filho de volta, mas não vamos permitir que sua história seja esquecida”, afirmou Bruno Freitas.

O caso

Benício Xavier de Freitas morreu em 23 de novembro de 2025, no Hospital Santa Júlia, em Manaus, após dar entrada na unidade com quadro de tosse seca e suspeita de laringite.

Segundo a investigação da Polícia Civil, a médica Juliana Brasil prescreveu adrenalina por via intravenosa, quando o protocolo indicado para o quadro clínico seria a administração do medicamento por inalação. A técnica de enfermagem Raiza Bentes aplicou a medicação na veia, mesmo após a mãe da criança questionar o procedimento.

Logo após receber a medicação, Benício sofreu múltiplas paradas cardíacas e morreu.

O inquérito policial concluiu que houve um “erro médico grosseiro”, apontando que a criança recebeu uma superdosagem de adrenalina. A investigação também revelou que, durante o atendimento, a médica trocava mensagens relacionadas à venda de maquiagens pelo celular e se apresentava como pediatra, embora não possuísse Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área.

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