
O papa Leão XIV criticou nesta segunda-feira (28) o aumento dos gastos militares em meio aos conflitos armados em diferentes partes do mundo. A declaração foi dada durante uma coletiva de imprensa a bordo do avião papal, no retorno de uma visita de quatro dias à França.
Segundo o pontífice, parte dos recursos destinados à indústria bélica poderia ser direcionada para áreas sociais.
“Poucas pessoas estão ficando extremamente ricas com uma indústria que promove a guerra, quando esses bilhões e bilhões de euros ou dólares poderiam ajudar a resolver problemas como a fome mundial, a habitação e o desemprego”, afirmou.
Durante a conversa com jornalistas, Leão XIV também defendeu que líderes internacionais busquem soluções por meio do diálogo, em vez de prolongar conflitos. Reuters informou que o papa pediu especificamente que Rússia e Ucrânia retomem discussões sobre o fim da guerra.
Papa defende redução de recursos destinados a armas
Leão XIV afirmou que a Igreja Católica tem a responsabilidade de incentivar autoridades e líderes políticos a buscar alternativas para os conflitos.
O pontífice também criticou declarações recentes sobre armas nucleares e guerras cada vez mais destrutivas. Segundo ele, a Igreja deve continuar defendendo a dignidade humana e o respeito à vida.
O papa afirmou ainda que recursos públicos poderiam ser direcionados para áreas como saúde e educação, em vez de ampliar investimentos militares.
Leão XIV comenta crise habitacional
Durante a coletiva, o papa também foi questionado sobre a situação da aposentada espanhola Maricarmen Abascal, de 87 anos, que foi retirada de sua residência em Madri na semana passada após uma ordem de despejo.
Leão XIV afirmou que não tinha conhecimento específico do caso, mas destacou que a crise habitacional enfrentada por diferentes países exige participação das autoridades públicas.
“O problema habitacional que muitos países enfrentam hoje é uma questão que nenhuma paróquia, diocese ou mesmo a Igreja sozinha pode resolver”, disse.
O papa acrescentou que líderes políticos e autoridades públicas precisam buscar soluções de longo prazo para o problema.
Caso da aposentada mobilizou protestos na Espanha
O despejo de Maricarmen Abascal provocou protestos em Madri e outras cidades espanholas. A aposentada foi retirada de sua casa, onde vivia havia mais de sete décadas, em meio a uma disputa relacionada ao imóvel.
Nesta segunda-feira, porém, o advogado de Abascal informou que ela poderá retornar à residência após um acordo com o proprietário. O caso também impulsionou manifestações sobre a crise habitacional e o aumento dos aluguéis na Espanha.
Segundo a Reuters, milhares de pessoas participaram de manifestações em Madri no fim de semana, enquanto grupos permaneceram acampados na região da Puerta del Sol.







