Givancir Oliveira liderou a mobilização dos rodoviários em Manaus durante paralisação realizada em defesa da PEC que prevê o fim da escala 6×1.

Uma paralisação relâmpago no transporte coletivo provocou uma manhã de caos em Manaus nesta quarta-feira (27), atingindo milhares de trabalhadores e estudantes e transformando a capital amazonense em um dos principais palcos da mobilização nacional em torno da PEC que prevê o fim da escala 6×1.

O protesto começou ainda nas primeiras horas do dia e rapidamente afetou a circulação de ônibus em importantes corredores da cidade, especialmente na Avenida Constantino Nery e no Terminal de Integração 1 (T1), onde passageiros enfrentaram plataformas lotadas, atrasos e longas caminhadas para conseguir chegar ao trabalho ou às escolas.

Centenas de ônibus foram estacionados ao longo da Constantino Nery, bloqueando o fluxo de veículos e provocando congestionamentos que alcançaram bairros como Chapada, São Geraldo, São Jorge e áreas adjacentes. Em alguns trechos, passageiros chegaram a seguir viagem a pé pelas pistas do BRT.

A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Rodoviários, com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico de Manaus e do Estado do Amazonas (Sindplast), do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindpetro) e do Sindicato dos Metalúrgicos.

Segundo os organizadores, o objetivo foi pressionar parlamentares e ampliar a discussão nacional sobre a Proposta de Emenda à Constituição que altera a jornada semanal de trabalho no país.

A proposta, relatada pelo deputado federal Léo Prates, prevê a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial. O texto também estabelece o fim da escala 6×1, garantindo ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos.

Conforme o parecer apresentado na Câmara dos Deputados, a mudança ocorreria de forma gradual. As duas primeiras horas seriam reduzidas até dois meses após a promulgação da PEC, enquanto as outras duas horas restantes seriam retiradas da jornada em até 12 meses.

O texto ainda mantém a possibilidade de compensação de horários e flexibilização mediante acordos ou convenções coletivas de trabalho.

O período de transição se tornou um dos principais pontos de divergência nas negociações envolvendo empresários, sindicatos e o governo federal. Entidades patronais defendem um prazo maior de adaptação para os setores produtivos, enquanto centrais sindicais pressionam pela aprovação imediata das mudanças.

Em Manaus, o protesto também ocorreu no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda oficial no Amazonas. Lideranças do movimento afirmaram que a mobilização buscava chamar atenção nacional para o debate sobre as condições de trabalho no país.

Apesar da forte repercussão no trânsito e no transporte coletivo, a paralisação durou pouco mais de uma hora. Após negociações e liberação gradual das vias, os ônibus voltaram a circular normalmente.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) informou que a frota foi restabelecida integralmente ainda durante a manhã, embora os reflexos no trânsito tenham permanecido em vários pontos da capital.

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