Sonda que perfura o primeiro poço da Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas na Margem Equatorial (Foto: Divulgação)

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) a identificação de hidrocarbonetos no primeiro poço exploratório perfurado pela companhia na costa do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas. O resultado reforça a aposta da estatal no potencial petrolífero da Margem Equatorial, considerada uma das principais novas fronteiras para a reposição das reservas brasileiras de petróleo e gás.

A descoberta ocorreu no poço Morpho (1-BRSA-1405-APS), no bloco FZA-M-59, localizado em águas profundas a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá.

A presença de hidrocarbonetos indica a existência de petróleo ou gás natural nas formações analisadas. O resultado, porém, ainda não significa que exista uma reserva comercialmente viável. A Petrobras continuará a perfuração e os estudos para dimensionar as características e o potencial da descoberta.

Para a presidente da estatal, Magda Chambriard, o resultado confirma as expectativas depositadas pela empresa na região.

“Nosso otimismo em relação à Margem Equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, declarou.

Petrobras continuará avaliação do poço

Segundo a companhia, os hidrocarbonetos foram detectados por meio da análise de perfis elétricos e de indícios encontrados nas formações rochosas atravessadas pela perfuração.

Os trabalhos no poço Morpho continuam para reunir informações que permitam avaliar com maior precisão o sistema petrolífero da área.

“As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas”, informou a Petrobras.

A perfuração do bloco FZA-M-59 foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro de 2025, após um processo de licenciamento que colocou a exploração da Margem Equatorial no centro do debate ambiental e energético brasileiro.

Além dessa área, a estatal aguarda autorização ambiental para perfurar outros três poços na região.

Descoberta aumenta expectativa sobre a Margem Equatorial

O resultado ganha relevância por ocorrer em uma área considerada estratégica pela Petrobras para o futuro da produção nacional.

A Margem Equatorial se estende pelo litoral brasileiro entre o Amapá e o Rio Grande do Norte e é tratada pelo setor petrolífero como uma possível nova fronteira exploratória. Ao mesmo tempo, a região apresenta elevada sensibilidade ambiental, o que mantém o avanço da atividade sujeito a rigoroso processo de licenciamento.

A Petrobras sustenta que a exploração de novas áreas será necessária para recompor as reservas brasileiras e manter a segurança energética durante a transição para fontes com menor emissão de carbono.

A busca por novas reservas também está relacionada às projeções para o pré-sal da Bacia de Santos. Atualmente responsável pela maior parcela das reservas provadas brasileiras de petróleo e gás, a região poderá entrar em trajetória gradual de declínio produtivo na próxima década.

Bloco pertence integralmente à Petrobras

A Petrobras é operadora e possui 100% de participação no bloco FZA-M-59.

A área foi adquirida na 11ª Rodada de Licitações promovida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob regime de concessão.

Com a identificação dos primeiros hidrocarbonetos, a atenção agora se volta para as próximas etapas da avaliação. Somente os estudos adicionais poderão indicar o volume existente, a qualidade dos hidrocarbonetos encontrados e, principalmente, se a descoberta possui condições técnicas e econômicas para uma futura produção comercial.

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