
O senador Plínio Valério (PSDB-AM), candidato à reeleição, minimizou os levantamentos eleitorais que atualmente o colocam atrás de adversários na disputa pelas duas vagas do Amazonas ao Senado e apostou que as urnas poderão repetir o que ocorreu em 2018, quando seu desempenho surpreendeu as pesquisas divulgadas durante a campanha.
Em entrevista à TV Norte Amazonas, na última sexta-feira (28), Plínio afirmou que os números apresentados neste momento da corrida eleitoral não o incomodam. O senador chamou atenção principalmente para o percentual de eleitores ainda sem candidato definido e para sua baixa rejeição.
“Eu aumentei cem por cento, a pesquisa em 2018 nem colocava meu nome. Pesquisa não me incomoda, até porque 70% da população ainda não decidiu em quem votar e a pesquisa diz que seu amigo aqui tem 2% de rejeição, contra 52 de um candidato, 37 de outro e 34 do outro, ou seja, a população vai decidir. Mais uma vez vamos desmentir as pesquisas e eles vão ter novamente que dizer que estavam enganados”, declarou.
Para Plínio, mais importante que os números apresentados pelos institutos é a receptividade encontrada durante o contato direto com os amazonenses.
“A pesquisa maior é essa, andar de cabeça erguida no meio da população”, afirmou.
Plínio aposta no “segundo voto”, mas diz ter força também como primeira opção
Como dois senadores serão escolhidos pelo Amazonas nesta eleição, Plínio também avaliou o comportamento do eleitor na hora de definir os dois votos. Para ele, o chamado segundo voto pode ter peso decisivo no resultado.
“O segundo voto é muito marcante, o segundo voto é o do amor, da consciência e da convicção. Depois eu acho que dá para fazer uma tese sobre isso, o eleitor não muda o segundo voto, é impressionante”, afirmou.
O senador, porém, rejeitou a ideia de que sua candidatura dependa exclusivamente dessa segunda escolha e lembrou a votação que recebeu na eleição anterior.
“Agora quem acha isso, esquece que eu tenho muito primeiro voto. Eu tive 835 mil votos, quase um milhão. Meu destino eu entrego a Deus, Deus comanda meu destino, é a ele quem eu devo responsabilidade e ao povo do Amazonas eu devo satisfação”, disse.
Senador relembra virada nas urnas em 2018
A confiança de Plínio está ancorada principalmente no resultado obtido há oito anos. Na eleição de 2018, o então candidato enfrentou uma disputa na qual levantamentos divulgados durante a campanha apontavam outros nomes à sua frente.
Plínio acabou conquistando uma das duas vagas ao Senado e agora utiliza aquele episódio como argumento para questionar as projeções atuais.
“Em 2018, quando fui eleito senador, as pesquisas sempre colocaram Eduardo e Vanessa na frente. Agora, repetem o mesmo método. O resultado, vocês já sabem”, declarou.
Ao relembrar aquela campanha, Plínio também destacou sua origem e a ligação com os municípios do interior do Amazonas.
“Eu me tornei senador para mostrar que é possível sonhar e realizar. Sou um caboclo de beira de rio, conheço de perto as dificuldades do interior, sei o que o povo enfrenta todos os dias e foi por ele que cheguei até aqui”, afirmou.
Mais de R$ 1 bilhão em emendas entram no discurso pela reeleição
Além de confrontar as pesquisas, Plínio tem utilizado o balanço dos quase oito anos de mandato como um dos principais argumentos para pedir novamente o voto dos amazonenses.
Segundo os dados apresentados pela campanha, foram 1.286 emendas parlamentares, ultrapassando R$ 1 bilhão destinados ao Amazonas.
A saúde aparece como principal destino dos recursos, com mais de R$ 485,5 milhões. Para infraestrutura foram destinados R$ 205,2 milhões; educação recebeu R$ 74,2 milhões; assistência social, R$ 64,4 milhões; e agricultura e produção rural, R$ 57,9 milhões.
Os recursos também alcançaram áreas como cultura, povos indígenas, saneamento, turismo, energia e esporte, com investimentos direcionados tanto para Manaus quanto para municípios do interior.
Quatro projetos transformados em lei e CPI das ONGs
Plínio também apresenta como resultado do mandato sua produção legislativa. Quatro projetos de autoria do senador foram transformados em leis, segundo o balanço divulgado pela campanha, envolvendo áreas como saúde, educação, pesquisa e desenvolvimento.
Entre as medidas destacadas está a legislação que garante às mulheres acesso à mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir dos 40 anos, com o objetivo de ampliar as possibilidades de diagnóstico precoce do câncer de mama.
Outro ponto explorado pelo senador é sua atuação como presidente da CPI das ONGs. A comissão investigou a atuação de organizações não governamentais na Amazônia e a aplicação de recursos destinados à região, levando ao debate questões relacionadas à transparência, soberania e às condições das populações que vivem no interior da floresta.
Na disputa pela reeleição, Plínio também reforça bandeiras que marcaram sua atuação no Senado, entre elas a defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM), da Lei de Informática e do asfaltamento da BR-319.
Ao resumir como pretende se apresentar ao eleitor nesta reta da campanha, o senador adotou um discurso de confronto e prestação de contas.
“Tenho honrado cada voto com responsabilidade e compromisso. Sempre defendendo o Amazonas. Diferente de muitos, eu fui para Brasília para defender o Amazonas, não para me defender”, declarou.
Para Plínio Valério, portanto, os números das pesquisas representam apenas um retrato do momento. Sua aposta é que, assim como ocorreu em 2018, a decisão final dos eleitores nas urnas poderá alterar o cenário apontado pelos levantamentos.







