O senador Plínio Valério (PSDB-AM) voltou a defender, nesta quarta-feira (2/9), no plenário do Senado Federal, o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ao comentar as informações presentes em relatório da Polícia Federal (PF) que faz menções ao ministro a partir de dados obtidos no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Plínio classificou as denúncias como “terríveis” e cobrou que o Senado analise os pedidos apresentados contra Moraes.

“Desta vez aquilo que a gente tanto quer aqui, há motivos robustos suficientes. As denúncias são terríveis. Não há como esconder; não há como jogar para baixo do tapete essa sujeira. As denúncias que caem sobre a consciência, a cabeça e os ombros do Ministro Alexandre de Moraes têm que ser apuradas e têm que ser levadas a sério”, declarou.

Durante o pronunciamento, Plínio afirmou que cabe ao Senado exercer sua prerrogativa e colocar em análise os pedidos de impeachment. Para o parlamentar, eventual cassação ou manutenção do ministro deveria ser resultado da deliberação dos senadores.

“Não é mais possível ter tantos pedidos de impeachment do Ministro e a gente não colocar um só — um apenas — em votação, para que nós possamos aqui, neste Plenário, deliberar”, afirmou.

O senador também defendeu que Moraes seja chamado para prestar esclarecimentos sobre o caso. “Eu só vejo uma solução aqui: chamar o Ministro para vir esclarecer sua situação, e que seja em uma Comissão, que não seja no Plenário”, disse.

Relatório da PF

As declarações de Plínio foram feitas após a divulgação de informações de um relatório da Polícia Federal que faz menções a Alexandre de Moraes. As citações ao nome do ministro foram identificadas a partir da quebra de sigilo do celular de Daniel Vorcaro, alvo das investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master. O sigilo do relatório foi retirado nesta terça-feira (1º/9).

De acordo com a PF, Vorcaro teria conversado diretamente com um contato salvo com o nome do ministro. Parte das supostas conversas não pôde ser recuperada porque, segundo as informações do relatório, o contato utilizava mensagens de visualização única e escrevia conteúdos no bloco de notas.

Em uma das mensagens recuperadas, Vorcaro teria dito ao contato atribuído a Moraes que “estava tentando antecipar os investigadores”. A conversa teria ocorrido em 17 de novembro de 2025.

Ao abordar essas informações, Plínio Valério também relacionou as suspeitas às decisões anteriormente tomadas pelo ministro e defendeu que as denúncias sejam investigadas antes de qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade.

“Fôssemos nós uma República que ainda vivesse o Estado pleno de direito, Alexandre de Moraes teria que ser afastado pelos seus pares e depois cassado aqui no Plenário do Senado, se a gente chegasse à conclusão de que ele é culpado”, declarou.

Atuação em relação ao STF

Plínio Valério é um dos autores da PEC 16/2019, que estabelece mandatos fixos para os ministros da Suprema Corte. O parlamentar também apoia a criação da CPI da Toga e o impeachment de ministros do Supremo.

No discurso desta quarta-feira, Plínio Valério afirmou que cobra o impeachment de Alexandre de Moraes desde 2019 e disse já ter defendido a medida em dezenas de pronunciamentos no Senado e em entrevistas. Ao finalizar o pronunciamento, Plínio Valério reiterou sua defesa do impeachment e afirmou que integrantes do Supremo também estão submetidos às leis.

“Eu sempre disse: Ministros do Supremo podem muito, mas não podem tudo. Ministros do Supremo podem aplicar a lei. Eles podem muito, mas não estão acima da lei. A lei que nós fizemos aqui, que os outros fizeram aqui, está acima de tudo, está acima de todos nós. Alexandre de Moraes não entendeu isso. Por isso, deverá ser cassado.”

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