O senador Omar Aziz (PSD), candidato ao Governo do Amazonas, reagiu com ironia ao apelido de “cara de capivara”, utilizado pelo vereador e deputado federal eleito Sargento Salazar (PL) para provocá-lo após as alianças políticas formadas para o segundo turno das eleições. Em entrevista concedida ao G6, grupo de sites coordenado pelo jornalista Hiel Levy, Omar afirmou que não se sente ofendido com a comparação e chegou a brincar com a possibilidade de ser chamado de “Capivara 55” pelos eleitores.

“Então, quando você for votar, você pode votar Omar 55 ou Capivara 55, que eu não vou ficar chateado”, declarou o senador, ao agradecer ironicamente a Salazar pela referência a um animal da fauna amazônica.

Durante a entrevista, Omar também fez críticas ao comportamento de pessoas que utilizam apelidos relacionados a características físicas ou pessoais para ridicularizar os outros. Sem chamar diretamente Salazar de imbecil ou moleque, o candidato recorreu a lembranças da adolescência para classificar esse tipo de atitude como ignorante e imatura.

“A gente imbecilmente, ignorantemente, a gente apelidava as pessoas. Se o cara fosse preto, apelidava. Porque nós éramos imbecis. Se você via uma criança quietinha e não sabia que ela tinha autismo, a gente gozava. Mas isso quando a gente é moleque”, afirmou.

A reação do senador ocorre em meio à disputa pelo Governo do Amazonas, na qual enfrenta a professora Maria do Carmo (PL) no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Salazar provoca Omar após alianças com antigos adversários

A troca de declarações começou depois que Sargento Salazar criticou as articulações políticas de Omar Aziz com lideranças que estiveram em campos opostos durante o primeiro turno.

O vereador, eleito deputado federal, utilizou o apelido para questionar a aproximação do senador com antigos adversários e ironizar a formação de uma frente de apoio à sua candidatura.

“O cara de capivara está desesperado e tentando se aliar a todo mundo, pois a população rejeitou o grupo do água de salsicha e do lambanceiro”, declarou Salazar.

A manifestação ocorreu após lideranças de diferentes partidos anunciarem apoio a Omar na disputa contra Maria do Carmo.

Entre os apoios recebidos pelo candidato do PSD estão o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), e integrantes de grupos políticos que apoiaram outras candidaturas na primeira etapa da eleição.

Em vez de responder diretamente às críticas sobre as alianças, Omar concentrou sua reação no apelido utilizado pelo adversário político.

Fato Amazônico apresentou capivara como mascote após criação de estudante indígena

Ilustração feita com inteligência artificial deu uma nova interpretação ao apelido utilizado contra Omar Aziz.

O apelido “cara de capivara”, utilizado inicialmente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e retomado por Sargento Salazar, ganhou uma versão ilustrada que passou a circular no contexto da campanha de Omar Aziz ao Governo do Amazonas.

O Fato Amazônico foi o responsável por apresentar a capivara como mascote informal da campanha, após o indígena e estudante de Direito Luan Oliveira utilizar ferramentas de inteligência artificial (IA) para criar uma ilustração do animal com o rosto do senador.

Na imagem, a capivara aparece com uma das mãos abertas, exibindo cinco dedos, enquanto segura, na outra, uma bandeira com o número 55, utilizado por Omar Aziz na disputa pelo Governo do Amazonas.

A criação de Luan Oliveira deu uma interpretação bem-humorada à provocação política, transformando o apelido em uma representação visual associada ao candidato.

A ilustração divulgada pelo Fato Amazônico também acrescentou um novo elemento à repercussão do apelido, que deixou de aparecer apenas nas declarações de adversários e passou a ser utilizado em manifestações bem-humoradas relacionadas à disputa eleitoral.

Agora, ao comentar o assunto em entrevista ao G6, Omar demonstrou não se incomodar com a comparação e chegou a brincar com a possibilidade de ser identificado pelo apelido durante a campanha.

Omar diz que capivara é um animal que faz bem à natureza

Durante a entrevista, Omar procurou demonstrar tranquilidade diante da provocação e afirmou que a comparação com uma capivara não representa uma ofensa.

O senador destacou que o animal faz bem à natureza e agradeceu ironicamente a Salazar por utilizar uma referência ligada à fauna amazônica.

Ao associar o apelido ao número 55, utilizado em sua candidatura, Omar deu uma resposta bem-humorada à provocação, embora tenha mantido as críticas ao uso de características pessoais para ridicularizar outras pessoas.

A declaração também trouxe de volta uma expressão que já havia provocado um confronto político entre Omar Aziz e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Apelido foi usado por Jair Bolsonaro durante a CPI da Pandemia

Embora Omar tenha relacionado a provocação a Sargento Salazar, a expressão “cara de capivara” já havia sido utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em novembro de 2021.

Na ocasião, Bolsonaro participava de um encontro com apoiadores e motociclistas em Ponta Grossa, no Paraná, quando ironizou o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, presidida por Omar Aziz no Senado.

O então presidente minimizou as conclusões da comissão e fez referência à aparência do senador.

“A única acusação bombástica da CPI do Omar Aziz foi a de que temos um presidente que é motoqueiro. Aquele cara de capivara me chamando de motoqueiro”, declarou Bolsonaro na ocasião.

A manifestação ocorreu durante o período de tensão entre o então presidente e integrantes da CPI, que investigou a atuação do Governo Federal no enfrentamento da pandemia de Covid-19.

Cinco anos depois, o apelido voltou ao debate político amazonense, desta vez utilizado por Sargento Salazar em meio às articulações para o segundo turno da eleição estadual.

Provocação ganha espaço na reta final da campanha

A troca de declarações acontece em um momento de intensificação da disputa entre Omar Aziz e Maria do Carmo pelo Governo do Amazonas.

Enquanto os candidatos buscam ampliar suas alianças e conquistar o apoio dos eleitores que votaram em outras candidaturas no primeiro turno, manifestações de aliados e adversários também passaram a ocupar espaço no debate eleitoral.

No caso do apelido “cara de capivara”, a expressão criada no confronto político entre Bolsonaro e Omar em 2021 voltou à discussão por meio de Salazar e ganhou uma representação visual com a ilustração desenvolvida por Luan Oliveira e apresentada pelo Fato Amazônico.

Ao declarar que os eleitores poderiam chamá-lo de “Capivara 55”, Omar demonstrou disposição para tratar a provocação com humor, ao mesmo tempo em que criticou o hábito de ridicularizar pessoas por características físicas ou pessoais.

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