
A Polícia Civil de Pernambuco concluiu o inquérito que investigava um suposto atentado a tiros contra a então secretária executiva da Mulher do Cabo de Santo Agostinho, Aline Melo, e apontou que o crime foi forjado.
O caso ocorreu em 27 de março deste ano, na rodovia PE-28, sentido litoral do município.
Na ocasião, Aline afirmou que o carro em que estava havia sido alvo de disparos e classificou o episódio como um ataque motivado por violência de gênero.
Um dos tiros atingiu a janela traseira do veículo, próximo à cabeça da então secretária. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.
Imagens levantaram suspeitas
Segundo a delegada Myrthor Andrade, a polícia passou a desconfiar da versão apresentada após analisar imagens de câmeras de segurança do trajeto percorrido pelo veículo.
As gravações mostraram um encontro de aproximadamente 17 segundos entre a caminhonete ocupada por Aline e o motorista e uma motocicleta com as mesmas características descritas no boletim de ocorrência.
Inicialmente, os envolvidos disseram que a moto tentava ultrapassar o carro pelo acostamento antes do disparo.
Moto pertencia ao pai do motorista
Durante as investigações, a polícia descobriu que a motocicleta pertencia ao pai do motorista Ewerton Eduardo.
Segundo a delegada, o veículo onde estavam Aline e o motorista chegou a parar antes do local do suposto atentado para encontrar a motocicleta.
Em um primeiro depoimento, o pai do motorista negou ter passado pela região. Depois, mudou a versão e afirmou que apenas entregava uma caixa com canetas emagrecedoras ao filho.
Aline Melo confirmou posteriormente que houve a entrega do pacote no local.
Polícia aponta omissão e contradições
De acordo com a investigação, o encontro entre os envolvidos nunca havia sido mencionado nos depoimentos iniciais.
Questionado novamente pela polícia, o motorista preferiu permanecer em silêncio.
Após a conclusão do inquérito, Aline Melo e o motorista foram indiciados pelos crimes de fraude processual, denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime.
Secretária alegava perseguição por atuação em defesa das mulheres
Na época do suposto atentado, Aline afirmou publicamente que o episódio estaria relacionado à sua atuação em defesa das mulheres e no combate ao feminicídio.
Em vídeos publicados nas redes sociais, ela disse acreditar que o ataque teria sido uma tentativa de intimidá-la por ocupar espaço de poder.
Mesmo após o ocorrido, afirmou que continuaria atuando na defesa das mulheres.
O caso agora seguirá para análise do Ministério Público.







