
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (5), uma operação para cumprir 98 mandados contra integrantes do Comando Vermelho (CV) que atuam na comunidade do Fallet-Fogueteiro, na região central da capital. As investigações apontam que a facção ampliou suas atividades criminosas e passou a utilizar o roubo de veículos como uma importante fonte de financiamento, além do tráfico de drogas.
Entre os principais alvos da operação está Paulo César Batista Castro, conhecido como Paulinho Fogueteiro. Segundo a Polícia Civil, ele é apontado como líder da organização criminosa na comunidade e seria responsável por comandar o tráfico de drogas, estabelecer regras internas da facção, coordenar a distribuição de entorpecentes e atuar como mediador de conflitos entre criminosos na região.
A ofensiva é resultado de uma investigação conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA), que inicialmente apurava o envolvimento da organização com o tráfico de drogas. Durante as investigações, porém, os agentes identificaram que o grupo vinha diversificando suas fontes de receita por meio do roubo sistemático de veículos.
De acordo com a polícia, os automóveis roubados abasteciam desmanches clandestinos, alimentavam o comércio ilegal de peças e eram utilizados em outras atividades criminosas, fortalecendo financeiramente a estrutura do Comando Vermelho.
Os investigadores também identificaram uma mudança no comportamento dos índices de criminalidade em áreas sob influência da facção. Apesar da redução consolidada dos roubos de veículos no município do Rio de Janeiro, bairros próximos à comunidade do Fallet-Fogueteiro apresentaram aumento significativo desse tipo de crime.
Levantamentos da Polícia Civil mostram que, na comparação entre os períodos de janeiro a julho de 2025 e janeiro a julho de 2026, o bairro de Santa Teresa registrou aumento de 58,3% nos roubos de veículos. No Centro da cidade, a alta foi de 17,4%, enquanto na Tijuca o crescimento chegou a 15%.
Segundo a DRFA, esses números reforçam a hipótese de que a facção adotou o roubo de automóveis como estratégia para ampliar suas fontes de renda e financiar outras atividades ilegais.
As investigações também apontam que essa mudança faz parte de um plano mais amplo de expansão territorial do Comando Vermelho. Conforme a Polícia Civil, a organização busca ampliar sua influência para além das comunidades onde já possui domínio, ocupando áreas consideradas estratégicas e diversificando suas atividades criminosas.
Além do tráfico de drogas e do roubo de veículos, a facção é suspeita de utilizar práticas de intimidação contra moradores e comerciantes para consolidar o controle sobre determinadas regiões da capital fluminense.
Para reunir as provas que fundamentaram os pedidos de prisão, os investigadores realizaram um trabalho de inteligência que incluiu análise de imagens de câmeras de segurança, cruzamento de informações, monitoramento de suspeitos e diligências em campo.
Com base no material coletado durante a investigação, a Justiça autorizou a expedição dos mandados de prisão e de busca que estão sendo cumpridos nesta quarta-feira.
A operação segue em andamento, com equipes da Polícia Civil realizando buscas em diferentes pontos ligados aos investigados. Até a última atualização, as autoridades ainda não haviam divulgado o número de presos nem o balanço completo das apreensões realizadas durante a ação.







