A Polícia Federal (PF) divulgou uma nota de esclarecimento nesta sexta-feira (9) para contestar informações publicadas pela revista Veja sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a corporação, o investigado não prestou depoimento com o teor relatado na reportagem intitulada “Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo”, nem entregou documentos, anexos ou informações com o conteúdo divulgado.

A publicação afirma que Vorcaro teria destinado R$ 30 milhões a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a expectativa de obter acesso aos recursos de fundos de pensão de servidores federais.

Em sua manifestação, a PF informou ainda que recebeu uma notícia-crime solicitando providências urgentes para apurar os fatos relacionados à publicação. O caso foi encaminhado à área técnica responsável pelas medidas de polícia judiciária.

“O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária”, declarou a instituição.

A corporação também esclareceu que as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais. Segundo a PF, a decisão foi fundamentada e comunicada à defesa do investigado.

Advogados pedem perícia em áudio atribuído a Vorcaro

Após a divulgação da reportagem, os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida apresentaram uma notícia de fato à Polícia Federal. A solicitação pede a realização de uma perícia urgente no áudio atribuído ao banqueiro, diante de suspeitas de possíveis adulterações na gravação.

Os representantes jurídicos alegam que o material pode ter sido manipulado por meio da montagem de trechos ou do uso de inteligência artificial. Na avaliação dos advogados, a divulgação também levanta suspeitas de uma possível tentativa de interferência no segundo turno das eleições presidenciais.

Em nota, eles afirmaram que o conteúdo atribuído a Vorcaro reproduziria acusações supostamente apresentadas em tentativas anteriores de colaboração premiada, que não avançaram na Procuradoria-Geral da República (PGR) por falta de provas, segundo a manifestação da defesa.

Os advogados também questionaram o momento em que o material veio a público, a 16 dias da eleição, e levantaram a hipótese de que a divulgação tenha motivação político-eleitoral.

Defesa quer investigação sobre origem da gravação

Entre as medidas solicitadas à PF está o encaminhamento do material ao Instituto Nacional de Criminalística, para verificar a autenticidade e a integridade do áudio. A perícia deverá buscar possíveis cortes, alterações ou sinais de utilização de voz sintética.

A defesa também pede que sejam investigadas a origem e a circulação da gravação, além de uma eventual violação do sigilo das tratativas de colaboração premiada.

Por fim, os advogados solicitaram a elaboração de um laudo preliminar no menor prazo possível, a fim de esclarecer se o material apresenta indícios de manipulação.

Até o momento, a manifestação da Polícia Federal confirma o recebimento do pedido de apuração, mas não apresenta uma conclusão pericial sobre a autenticidade do áudio.

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