Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro

A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito (FEDD) anunciou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O movimento criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), acusando-o de utilizar a religião como instrumento de promoção política.

Em entrevista ao Metrópoles, o pastor Ariovaldo Ramos, um dos coordenadores da organização, afirmou que a decisão de apoiar Lula está relacionada à preocupação do grupo com as propostas defendidas pelo candidato do PL.

Segundo Ramos, uma eventual vitória de Flávio representaria um retrocesso social e democrático para o país. A avaliação expressa o posicionamento da entidade, que atua na defesa dos direitos humanos, da justiça social e do Estado democrático de direito.

A manifestação ocorre em um cenário no qual pesquisas eleitorais apontam maior preferência pelo candidato do PL entre os eleitores evangélicos.

Declarações sobre mudanças na Constituição motivaram críticas

O posicionamento da FEDD ganhou destaque após Flávio Bolsonaro defender a utilização da influência política da direita no Congresso Nacional para promover alterações na Constituição Federal.

A declaração foi feita durante um evento em Goiânia, no qual o senador recebeu o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e do governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB).

Na ocasião, Flávio afirmou que as mudanças teriam como objetivo promover uma redemocratização do Brasil, mas não detalhou inicialmente quais dispositivos constitucionais pretendia modificar.

Posteriormente, o candidato esclareceu que suas propostas envolvem a revisão da maioridade penal e o fim da reeleição.

As declarações provocaram críticas de integrantes da FEDD, que manifestaram preocupação com os possíveis efeitos das mudanças defendidas pelo senador.

Criada em 2016, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito reúne lideranças religiosas alinhadas a pautas progressistas.

O movimento defende a democracia, a proteção das minorias, o fortalecimento das políticas públicas e a separação entre instituições religiosas e o poder político.

Para o segundo turno, a organização pretende ampliar o diálogo com eleitores evangélicos, especialmente entre os mais de 33 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas na primeira etapa da eleição.

Campanha de Lula busca ampliar apoio entre evangélicos

A aproximação com o eleitorado evangélico também integra as estratégias da campanha de Lula para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, o Partido dos Trabalhadores pretende conquistar parte dos eleitores que votaram no escritor Augusto Cury (Avante), que recebeu 2,89% dos votos válidos no primeiro turno.

Apesar de Cury ter anunciado apoio a Flávio Bolsonaro na quinta-feira (8/10), integrantes da campanha petista avaliam que uma parcela de seus eleitores pode optar por Lula na votação decisiva.

Na quarta-feira (8/10), durante um encontro com jovens parlamentares do PT e de partidos aliados, o presidente destacou a influência das igrejas evangélicas entre famílias de baixa renda.

Lula abordou o papel dessas instituições na oferta de acolhimento e esperança a pessoas que enfrentam dificuldades econômicas, além de discutir estratégias para ampliar sua comunicação nas redes sociais.

Pesquisas divulgadas antes do primeiro turno indicavam vantagem de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos, embora também registrassem variações no apoio ao presidente.

No levantamento Quaest de 28 de setembro, Lula passou de 23% para 27% das intenções de voto nesse segmento. Já a pesquisa BTG/Nexus, divulgada na mesma data, apontou 31% para o petista e 50% para Flávio.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, obteve 45,16%. Os dois candidatos voltarão a se enfrentar nas urnas em 25 de outubro.

Com informações de Metrópoles

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