Reprodução/ Tribunal Superior de Justiça

O professor de uma escola secundária na região de Navarra, na Espanha, foi condenado a 180 anos e 9 meses de prisão por filmar, sem consentimento, cerca de 42 mulheres em banheiros da instituição e provadores de estabelecimentos comerciais. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (15/4) pelo tribunal da Espanha.

Apesar da soma das penas, o tribunal determinou que o tempo máximo de cumprimento será de 15 anos de prisão, conforme previsto no Código Penal espanhol, que limita o tempo efetivo a três vezes a pena mais grave aplicada.

O caso começou a ser investigado após um morador da região notar uma câmera escondida e denunciar o fato à polícia em outubro de 2023. Com isso, as autoridades realizaram buscas na residência do suspeito, onde encontraram evidências dos crimes.

Além das gravações, o professor , que trabalhava no Instituto de Ensino Secundário (IES) de Zizur, teria invadido contas pessoais de alunos.

Segundo o tribunal, ele utilizava informações dos estudantes para acessar e-mails e redes sociais, como Instagram e Snapchat, armazenando fotos e arquivos privados das vítimas.

Também foram encontrados sinais de que ele utilizava programas de inteligência artificial para criar imagens de adolescentes nuas.

Durante o julgamento, a defesa reconheceu tanto as gravações quanto o acesso indevido aos conteúdos, mas solicitou que os atos fossem tratados como um único crime continuado, pedido negado pelos juízes.

Para as autoridades, cada vítima corresponde a uma infração distinta, caracterizando violações individuais da privacidade.

O homem foi considerado culpado por diversos crimes, entre invasão de privacidade e pornografia infantil, tanto na posse quanto na produção.

A decisão também inclui o pagamento de indemnizações que variam entre 3 mil e 15 mil euros para cada uma das 42 vítimas. Antes do julgamento, o acusado havia depositado 273 mil euros, valor levado em conta como atenuante.

Outros pedidos da defesa, como reconhecimento de transtorno mental, demora no processo e confissão, foram rejeitados pela Justiça espanhola.

Além da pena de prisão, ele está impedido de exercer qualquer atividade profissional envolvendo menores de 18 anos por um período de 10 anos.

A decisão ainda pode ter recurso ao Tribunal Superior de Justiça de Navarra.

Com informações do Metrópoles.

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