
A confirmação da pré-candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa à Presidência da República pelo Democracia Cristã abriu uma crise interna na legenda e colocou em lados opostos a direção nacional do partido e o ex-ministro Aldo Rebelo, que resiste em deixar a disputa pelo Palácio do Planalto.
A movimentação foi anunciada pelo presidente nacional da sigla, João Caldas, que apresentou Joaquim Barbosa como alternativa mais competitiva para a corrida eleitoral de 2026. A decisão, no entanto, provocou reação imediata de Aldo Rebelo, que afirmou não reconhecer a substituição e prometeu manter sua pré-candidatura até a convenção partidária, admitindo inclusive recorrer à Justiça para garantir espaço na disputa interna.
Segundo a direção do DC, a entrada de Joaquim Barbosa ocorre em um momento em que o partido busca ampliar protagonismo nacional e apresentar um nome com maior potencial eleitoral. João Caldas argumentou que o ex-presidente do STF reúne atributos ligados à defesa institucional e ao combate à crise política enfrentada pelo país.
O dirigente também justificou o reposicionamento do partido alegando dificuldades de crescimento de Aldo Rebelo nas pesquisas de intenção de voto nos últimos meses. A avaliação dentro da legenda é que Joaquim Barbosa poderia atrair maior atenção do eleitorado e fortalecer o desempenho da sigla na eleição presidencial.
Apesar do anúncio, Joaquim Barbosa ainda não se pronunciou publicamente sobre a pré-candidatura. O silêncio do ex-ministro aumentou as dúvidas sobre os próximos passos da articulação política dentro do partido e ampliou o clima de incerteza nos bastidores da legenda.
Aldo Rebelo, por outro lado, endureceu o discurso contra a direção nacional do DC e afirmou que a decisão anunciada representa apenas o posicionamento do comando partidário, sem consenso interno. O ex-ministro sustenta que continuará no páreo até a definição oficial da convenção.
Joaquim Barbosa ganhou notoriedade nacional durante sua atuação no julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal, onde atuou como relator do processo e posteriormente presidiu a Corte. Ele deixou o tribunal em 2014, antes de atingir a idade limite para aposentadoria compulsória.
O nome do ex-ministro já havia surgido como possível candidato ao Planalto em 2018, quando chegou a aparecer em pesquisas eleitorais, mas acabou desistindo da disputa antes do início oficial da campanha.







