Reprodução/revista piauí

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) se manifestou neste domingo (9/8) sobre uma fotografia encontrada pela Polícia Federal (PF) no celular do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A imagem mostra Ramagem e outros políticos em uma confraternização na propriedade do advogado Willer Tomaz, em Planaltina, no Distrito Federal.

Registrada em 23 de abril de 2023, a fotografia mostra Willer ao lado de pelo menos sete políticos, entre eles Arthur Lira (PP-AL), então presidente da Câmara dos Deputados; Ramagem, que exercia mandato de deputado federal; e Juscelino Filho (PSDB-MA), que na época comandava o Ministério das Comunicações.

Ramagem afirmou que a fotografia foi feita durante um evento particular que contou com a presença de familiares dos convidados e a apresentação de um cantor. Segundo ele, Willer é proprietário de um escritório que representa parlamentares de diferentes correntes políticas, além de empresas brasileiras e estrangeiras.

O ex-deputado também afirmou que sua presença no evento não altera suas posições políticas nem as críticas que fez a outros participantes da confraternização.

“Não deixarei de contestar tudo que considero ser errado, seja contra a esquerda, o centro, a própria direita ou qualquer pessoa”, declarou.

Ramagem defendeu ainda a realização de investigações conduzidas com rigor técnico e imparcialidade e negou envolvimento em corrupção, desvios ou favorecimentos.

“Podem revirar minha vida, tentar difamar, inventar, constranger, que não vai ter resultado. Não tenho nada de desvio, corrupção ou favorecimentos”, afirmou.

Foto aparece em investigação da Operação Sem Desconto

Além de Ramagem, Lira e Juscelino Filho, aparecem na fotografia os deputados Elmar Nascimento (União-BA) e Paulo Azi (União-BA), o senador Efraim Filho (PL-PB) e Weverton Rocha.

Willer Tomaz voltou à mira da Polícia Federal em uma nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que apura fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O advogado e familiares de Weverton estiveram entre os alvos de buscas realizadas na terça-feira (4/8). O senador não foi alvo das medidas dessa etapa.

Embora a fotografia faça parte do material analisado pelos investigadores, ela não é mencionada na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as buscas.

A PF apura uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro relacionada a Willer e investiga movimentações financeiras envolvendo pessoas e empresas ligadas ao advogado e ao senador. Segundo a investigação, empresas relacionadas a Willer transferiram mais de R$ 11 milhões para Samya Rocha, mulher de Weverton.

Também é investigada a aquisição, por R$ 6 milhões, da residência onde o senador mora no Lago Sul, em Brasília. O imóvel teria sido comprado por uma empresa relacionada ao advogado.

Willer nega participação nas fraudes e afirma que os pagamentos destinados a Samya correspondem a honorários por serviços advocatícios. Sobre a fotografia, classificou sua divulgação como exposição indevida de um momento de sua vida privada e afirmou não ter envolvimento com os fatos investigados na Operação Sem Desconto.

Weverton também nega irregularidades. Segundo o senador, as movimentações financeiras analisadas decorreram de atividades profissionais e empresariais e foram declaradas à Receita Federal. Ele afirmou ainda ter solicitado ao STF uma investigação sobre o vazamento da fotografia.

Confraternização ocorreu em propriedade de Willer Tomaz

De acordo com as informações divulgadas sobre o encontro, a confraternização teria sido organizada por meio de um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”. Conversas indicam que os participantes prepararam uma lista de convidados para o período do feriado de Tiradentes, celebrado dois dias antes da data registrada na fotografia.

O encontro ocorreu no Rancho Tomaz, propriedade de Willer em Planaltina. O espaço possui estruturas de lazer, como quadras de tênis, campo de minigolfe e acesso à Lagoa Formosa.

Paulo Azi confirmou ter participado da confraternização e afirmou que conhece Willer, embora o advogado não o represente. Elmar Nascimento, por sua vez, disse ser próximo de Willer, mas afirmou que estava em Tiradentes, Minas Gerais, naquele período.

Com informações de Metrópoles

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