A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º), o debate entre os candidatos à Presidência da República que estava previsto para ocorrer horas depois. A decisão foi tomada após a emissora receber duas determinações judiciais que alteraram, às vésperas do programa, regras previamente estabelecidas para o encontro.

O ponto central da decisão da Globo foi o que a emissora classificou como “insegurança jurídica” provocada por sucessivas decisões judiciais momentos antes do debate. Uma delas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mudou a forma como seria tratada a ausência do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A outra, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão).

O debate seria o último promovido pela emissora antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4). O próprio TSE informa que esta quinta-feira é a data-limite para a realização de debates no primeiro turno.

TSE impede púlpito vazio de Lula

A primeira decisão que impactou o formato foi assinada pela ministra Estela Aranha, do TSE, atendendo a pedido da coligação de Lula.

As regras acertadas anteriormente entre a Globo e representantes dos partidos estabeleciam que, em caso de ausência de um candidato, seu púlpito permaneceria vazio e identificado no cenário. Também estava previsto que, em uma rodada de tema livre, os participantes poderiam formular a pergunta que fariam ao ausente.

A decisão de Estela Aranha impediu que a Globo mantivesse o púlpito identificado com o nome de Lula e também proibiu a formulação das perguntas destinadas ao petista.

Estela Aranha integra atualmente a composição efetiva do TSE e também foi designada para atuar como juíza auxiliar da propaganda eleitoral nas eleições de 2026.

Gilmar Mendes determina inclusão de Renan Santos

Pouco depois, uma segunda decisão alterou novamente a configuração do debate.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Globo garantisse a participação do candidato Renan Santos, do Missão, atendendo a pedido apresentado pelo Solidariedade.

A decisão chamou atenção porque o Missão possui apenas um parlamentar no Congresso Nacional. Pelas regras legais aplicáveis aos debates, a Globo havia estruturado seus convites considerando a representação partidária exigida para participação obrigatória.

Inicialmente, estavam convidados Augusto Cury (Avante), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Lula (PT). Posteriormente, uma decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, assegurou também a participação de Romeu Zema (Novo).

Com a determinação de Gilmar Mendes, Renan Santos passaria a integrar o debate poucas horas antes de sua realização. A decisão ocorreu depois de outro pedido relacionado à participação do candidato ter sido rejeitado pela ministra Cármen Lúcia, do STF.

Globo fala em “interferência indevida”

Diante das mudanças, a Globo anunciou que não realizaria mais o programa. Em comunicado, a emissora sustentou que decisões judiciais sucessivas tomadas pouco antes do evento criaram insegurança jurídica e, em sua avaliação, interferiram na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates eleitorais.

A emissora também afirmou que mantém tradição na realização desses encontros e que o objetivo seria proporcionar aos eleitores a comparação entre propostas e projetos para o país.

O cancelamento ocorre em uma noite marcada também pela desistência de Flávio Bolsonaro de participar do encontro. O candidato do PL anunciou a decisão após as mudanças determinadas pela Justiça.

Com o cancelamento, os eleitores ficaram sem o debate da Globo na última noite permitida pela legislação eleitoral antes do primeiro turno.

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