
O até então titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa, oficializou sua saída do governo Wilson Lima para entrar de vez na disputa eleitoral de 2026. O movimento não é apenas administrativo — é político e calculado.
A desincompatibilização do cargo abre caminho para que Serafim se reposicione no cenário estadual, agora como pré-candidato à Câmara Federal, levando consigo o capital político acumulado dentro da gestão e o discurso de resultados à frente da pasta.
Nos bastidores, a saída é interpretada como parte de um redesenho estratégico do grupo governista, que busca ocupar espaços na eleição proporcional com nomes de peso e experiência. Serafim entra nesse tabuleiro como uma peça conhecida, com trânsito político e histórico consolidado.
Durante sua passagem pela Sedecti, iniciada em 2023, o agora ex-secretário esteve à frente de agendas consideradas estruturantes para o governo, especialmente na área industrial e de desenvolvimento econômico. A gestão foi marcada por números que passam a ser utilizados como ativo político na pré-campanha.
Entre os dados que devem embasar seu discurso eleitoral está a aprovação de centenas de projetos industriais no Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), além do volume bilionário de investimentos e da ampliação de postos de trabalho previstos no estado.
Ao se despedir do cargo, Serafim adotou um tom de missão cumprida, evitando autopromoção direta, mas deixando clara a transição para um novo momento político. A fala, carregada de simbolismo, reforça a ideia de mudança de ciclo — agora voltado às urnas.
A saída também foi marcada por gestos públicos de reconhecimento dentro do governo. Durante reunião do Codam, ele foi homenageado, enquanto o governador Wilson Lima fez questão de destacar a importância da atuação do ex-secretário e sinalizou apoio à nova caminhada.
Mais do que um gesto institucional, a manifestação do governador é lida como indicativo de alinhamento político e possível reforço na construção de uma base eleitoral para 2026.
Capital político e discurso de gestão
Ao deixar a secretaria, Serafim leva para a campanha um portfólio que inclui ações voltadas à bioeconomia, inovação e fortalecimento da matriz econômica do Amazonas — áreas que ganharam protagonismo nos últimos anos e devem ser exploradas como bandeiras eleitorais.
Projetos como o Plano Estadual de Bioeconomia, a atualização de marcos legais e o fortalecimento de cadeias produtivas regionais entram na narrativa de um perfil técnico com capacidade de execução.
Além disso, iniciativas voltadas à transparência, planejamento e valorização de servidores também passam a compor o discurso de quem busca se apresentar como gestor experiente e preparado para o Legislativo.
A movimentação de Serafim ocorre em um momento de intensificação das articulações políticas no estado, com nomes se posicionando antecipadamente para a disputa proporcional, considerada estratégica para a formação de bancadas fortes em Brasília.
Agora fora da estrutura do governo, ele passa a atuar exclusivamente no campo político, com o desafio de transformar resultados administrativos em votos — e garantir espaço em um cenário cada vez mais competitivo no Amazonas.







