Hugo Barreto/Metrópoles

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, vai se afastar temporariamente do cargo a partir de segunda-feira (12/10) para se dedicar à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A decisão ocorre após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado em 4 de outubro, quando Lula recebeu 45,16% dos votos válidos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve 47,03%. A diferença entre os candidatos foi de 1,87 ponto percentual.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a campanha petista passa por mudanças na coordenação e na estratégia de comunicação para ampliar o alcance das propostas do presidente.

Campanha passa por reorganização após primeiro turno

Nesta semana, novos integrantes foram incorporados ao núcleo de coordenação da campanha de Lula.

O senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana assumiu a coordenação política, enquanto o ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia, Rui Costa, ficou responsável pela organização da agenda.

O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, passou a responder pela área de comunicação. A coordenação-geral permanece sob responsabilidade de Edinho Silva, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores.

Sidônio Palmeira e Edinho receberam críticas internas após o desempenho eleitoral do presidente no primeiro turno.

Embora não integrasse formalmente a equipe de campanha, o ministro da Secom já exercia influência sobre a comunicação política de Lula. Sidônio também é sócio do publicitário Raul Rabelo, responsável pelo marketing eleitoral do presidente.

Em 2022, Palmeira coordenou a estratégia de comunicação da campanha que resultou no terceiro mandato presidencial de Lula.

Durante uma reunião com jovens lideranças políticas na quarta-feira (7/10), o próprio presidente reconheceu dificuldades na organização de sua campanha, classificando-a como a menos estruturada desde sua primeira candidatura à Presidência, em 1989.

Redes sociais e mobilização de eleitores estão entre as prioridades

Para o segundo turno, a campanha pretende intensificar a mobilização de eleitores que não compareceram às urnas ou votaram em branco ou nulo na primeira etapa.

Outra prioridade é ampliar a votação no Sudeste e recuperar apoio no Nordeste, região historicamente favorável ao presidente, mas onde seu desempenho ficou abaixo do registrado nas eleições de 2022.

A comunicação digital também passou por mudanças. Lula começou a publicar vídeos gravados por ele próprio, em formato de selfie, com linguagem mais informal e produção simplificada.

Entre quarta-feira (7/10) e sexta-feira (9/10), o presidente divulgou 13 vídeos nesse formato, como parte da estratégia para aumentar sua presença nas redes sociais.

No discurso político, Lula tem ampliado as críticas ao adversário, abordando temas como o caso Banco Master, a posição de Flávio Bolsonaro sobre a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e os possíveis impactos de medidas de redução das despesas públicas.

A campanha petista também questiona a proposta apresentada pelo senador de promover cortes de aproximadamente R$ 200 bilhões no orçamento federal. Os efeitos específicos dessas medidas sobre programas sociais, entretanto, dependem de como os ajustes seriam implementados.

Além da comunicação digital, a estratégia prevê maior participação do presidente em atos eleitorais e o fortalecimento das campanhas de aliados que disputam governos estaduais.

Estão previstas agendas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estados que concentram parcelas expressivas do eleitorado brasileiro.

As mudanças buscam reorganizar a atuação da campanha nas duas últimas semanas antes da votação decisiva de 25 de outubro.

Com informações de Metrópoles

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