
Um cenário de calor extremo associado ao Super El Niño pode provocar cerca de 451 mil mortes adicionais no mundo nos próximos seis meses, segundo uma estimativa do Climate Impact Lab. O relatório aponta que o fenômeno poderá elevar as temperaturas globais em aproximadamente 1,2°C acima da média para o período, aumentando a ocorrência de ondas de calor, secas, incêndios florestais e enchentes em diferentes regiões.
De acordo com os pesquisadores, os impactos devem ser mais intensos no Sul Global, onde países com maior exposição ao calor extremo podem registrar milhares de mortes adicionais. A projeção considera o período entre setembro deste ano e fevereiro do próximo ano e compara o número estimado de óbitos com o que seria esperado em um período considerado normal.
Uma das regiões apontadas como mais afetadas é o Sahel, na África. A estimativa indica que aproximadamente 66,8 mil mortes relacionadas ao calor podem ocorrer na região durante os seis meses analisados. A Nigéria concentraria a maior parte desses óbitos, com uma projeção de 31,4 mil mortes adicionais.
Outros países do Sahel também aparecem entre os mais afetados. O Sudão pode registrar cerca de 17,5 mil mortes adicionais relacionadas ao calor, enquanto as projeções indicam 10 mil no Níger e 8 mil no Chade.
No Sudeste Asiático, o aumento das temperaturas também deve provocar impactos significativos. Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem somar aproximadamente 19,4 mil mortes relacionadas ao calor. Na Indonésia, a estimativa chega a 19,3 mil óbitos adicionais.
A Índia também aparece entre os países que podem registrar um número elevado de mortes durante o período analisado. Segundo o relatório, são estimadas cerca de 15,8 mil mortes relacionadas ao calor no país.
No Brasil, a projeção aponta aproximadamente 13,3 mil mortes adicionais associadas às temperaturas extremas nos próximos seis meses. O país aparece entre as nações com maior número estimado de óbitos relacionados ao calor no cenário apresentado pelo estudo.
Entre os dez países com maior número projetado de mortes relacionadas ao calor estão Nigéria, Indonésia, Sudão, Índia, Brasil, República Democrática do Congo, Níger, Chade, Filipinas e Sudão do Sul.
Além dos efeitos diretos sobre a saúde da população, o relatório alerta para possíveis consequências associadas às temperaturas elevadas, como o agravamento de períodos de seca, aumento do risco de incêndios florestais e ocorrência de chuvas intensas e enchentes em determinadas regiões.
Os pesquisadores também destacam que temperaturas consideradas excepcionais atualmente podem se tornar mais frequentes nas próximas décadas caso o aquecimento global continue avançando. O relatório compara o cenário projetado a uma espécie de antecipação das condições climáticas que poderão se tornar comuns no futuro.
A coautora do estudo e chefe de pesquisa do Climate Impact Lab, Tamma Carleton, defendeu a adoção de medidas de preparação e resposta aos eventos extremos. Segundo ela, investimentos em sistemas de emergência podem reduzir o número de mortes no curto prazo, mas o planejamento de longo prazo será necessário para lidar com um cenário em que temperaturas extremas se tornem mais frequentes.
O relatório reforça que a preparação para ondas de calor, o fortalecimento dos sistemas de saúde e a adoção de medidas para reduzir os efeitos do aquecimento global são fatores importantes para diminuir os impactos sobre as populações mais vulneráveis.







