A notícia de que o Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, principal referência em trauma do Amazonas, suspendeu temporariamente o recebimento de novos pacientes politraumatizados devido à superlotação repercutiu na Assembleia Legislativa. Para o deputado estadual Comandante Dan (Republicanos), o episódio, divulgado inicialmente nas redes sociais e ainda sem esclarecimentos oficiais detalhados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), exige transparência por parte do Governo e reforça a necessidade de fortalecer toda a rede hospitalar de urgência e emergência do Estado.

Segundo as informações divulgadas, a emergência do hospital atingiu sua capacidade máxima na noite de segunda-feira (20/07), fazendo com que ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) permanecessem retidas no pátio da unidade aguardando a liberação de leitos. A consequência imediata seria a redução da disponibilidade de viaturas para atender novas ocorrências em Manaus. Até o momento, a SES-AM não informou oficialmente quantos pacientes estavam na unidade, por quanto tempo a suspensão perdurou nem quais medidas foram adotadas para normalizar o atendimento.

Para Comandante Dan, antes de atribuir responsabilidades, é indispensável conhecer os fatos.

“É uma notícia que preocupa e que precisa ser esclarecida. Não podemos fazer uma análise precipitada sem informações oficiais, mas é dever do Estado explicar o que ocorreu, qual era a taxa de ocupação do hospital, por quanto tempo o atendimento ficou comprometido e quais providências foram adotadas para garantir a assistência à população.”

O deputado lembrou que o fortalecimento da saúde pública sempre esteve entre as prioridades de seu mandato. Antes de o Governo do Amazonas transferir a administração do Complexo Hospitalar Sul, do qual faz parte o HPS Dr. João Lúcio, para a organização social IDEAS, Comandante Dan destinou recursos de emendas parlamentares para a unidade, contribuindo com investimentos voltados ao atendimento da população. A transferência da gestão para a Organização Social ocorreu com o objetivo de conferir maior agilidade à realização de cirurgias, ao abastecimento de insumos, aos exames diagnósticos e à gestão hospitalar.

Ex-comandante-geral da Polícia Militar e presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, o parlamentar observou que, quando ambulâncias permanecem aguardando a liberação de pacientes, o problema deixa de atingir apenas um hospital e passa a comprometer toda a rede de resposta às emergências.

“Cada ambulância parada significa uma equipe a menos disponível para atender um acidente grave, um infarto, um AVC ou outra ocorrência de risco. Quando a porta de entrada da urgência trava, todo o sistema sente os efeitos.”

Segundo o deputado, a situação também evidencia a importância de ampliar a capacidade da rede hospitalar como um todo. Na avaliação dele, muitas vezes a superlotação da emergência não decorre apenas da chegada de novos pacientes, mas da dificuldade em transferir pessoas já estabilizadas para enfermarias, UTIs ou hospitais de retaguarda.

“Não basta ampliar o atendimento da emergência. É preciso fortalecer toda a rede assistencial, abrir leitos de retaguarda, melhorar a regulação de pacientes e garantir que os hospitais tenham condições de manter o fluxo de atendimento. Caso contrário, o gargalo permanece.”

Comandante Dan defendeu que a Secretaria de Estado de Saúde divulgue informações detalhadas sobre o episódio, incluindo o número de pacientes atendidos, a ocupação dos leitos, o tempo de retenção das ambulâncias do Samu, as medidas adotadas para normalizar a situação e o plano para evitar que ocorrências semelhantes se repitam.

“Transparência também salva vidas. A população tem o direito de saber o que aconteceu e quais providências estão sendo tomadas para que um hospital de referência em trauma não precise interromper o recebimento de novos pacientes.”

Para o parlamentar, o episódio reforça a necessidade de investimentos permanentes na rede pública de urgência e emergência, com ampliação da capacidade hospitalar, fortalecimento da regulação estadual de leitos, valorização dos profissionais de saúde e melhoria da integração entre hospitais e o Samu, preservando a capacidade de resposta do sistema em momentos de maior demanda.

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