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A Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou nesta terça-feira (2) que o estado do Alabama utilize um mapa eleitoral favorável ao Partido Republicano, revertendo uma decisão anterior que considerava a divisão dos distritos discriminatória para eleitores negros.

A decisão foi tomada pela maioria conservadora da Corte, composta por seis dos nove magistrados. Com isso, o Alabama poderá adotar o mapa eleitoral aprovado em 2023, que prevê apenas um distrito de maioria negra entre os sete existentes no estado. Na prática, a medida reduz de dois para um o número de distritos onde eleitores negros representam a maioria da população.

Os três ministros considerados liberais divergiram da decisão e afirmaram que ela ignora princípios democráticos e o Estado de Direito.

A disputa chegou à Suprema Corte após líderes republicanos do Alabama recorrerem contra uma decisão de instância inferior que havia impedido a utilização do mapa de 2023. O tribunal havia determinado a manutenção de uma divisão eleitoral alternativa, utilizada nas eleições de 2024, que possibilitou a eleição de dois congressistas democratas negros.

Após o anúncio da decisão, a governadora do Alabama, Kay Ivey, confirmou que o estado utilizará o mapa aprovado em 2023 nas eleições primárias especiais para o Congresso marcadas para 11 de agosto.

Disputa faz parte de debate nacional sobre redistribuição eleitoral

O caso é mais um capítulo da discussão sobre a redefinição dos distritos eleitorais nos Estados Unidos, processo conhecido como redistritamento. Embora normalmente ocorra após os censos populacionais realizados a cada dez anos, diversos estados têm promovido alterações recentes em seus mapas eleitorais.

Segundo críticos da medida, a decisão da Suprema Corte pode reduzir a representação política da população negra e enfraquecer proteções históricas garantidas pela legislação eleitoral norte-americana.

Organizações de defesa dos direitos civis classificaram o resultado como um retrocesso. Para essas entidades, a autorização dada ao Alabama abre precedente para que outros estados adotem medidas semelhantes sem receio de contestação judicial.

A disputa ganhou força após iniciativas conduzidas por governos republicanos em diferentes estados. O movimento teve início no Texas em 2025 e se expandiu para outras regiões do país, enquanto estados governados por democratas também passaram a discutir alterações em seus próprios mapas eleitorais.

Em abril, a Suprema Corte já havia tomado uma decisão relevante ao anular um distrito de maioria negra na Louisiana, sob o entendimento de que critérios raciais teriam sido utilizados de forma excessiva na elaboração do mapa eleitoral. A decisão gerou debates sobre os impactos na aplicação da Lei dos Direitos de Voto de 1965, criada para combater a discriminação eleitoral.

Desde então, estados como Tennessee e Louisiana aprovaram novas divisões distritais que também vêm sendo alvo de questionamentos por parte de grupos ligados à defesa dos direitos civis e da representatividade eleitoral.

Com informações de Metrópoles

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