
O homem apontado pela Polícia Civil do Amazonas como autor do triplo homicídio ocorrido no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus, permaneceu cerca de duas horas dentro da residência onde três pessoas foram mortas e uma mulher ficou gravemente ferida. A dinâmica do crime foi detalhada nesta terça-feira (18) pelo delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
O suspeito, identificado como Ezenilson Silva de Sousa, chegou ao imóvel por volta das 5h30 de segunda-feira (17), estacionou uma motocicleta em frente à casa, pulou o muro e só deixou o endereço por volta das 7h. Segundo a investigação, ele já teria levado um martelo que foi usado durante os ataques.
As vítimas fatais foram o pastor Francisco das Chagas Morais Santos, de 66 anos; Isabella Coelho Morais, de 29 anos; e Guilherme Pereira Lima Filho, de 65 anos, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Uma quarta vítima, identificada como Dilma, foi socorrida em estado grave e permanece hospitalizada.
Horas depois do crime, Ezenilson foi localizado e preso. De acordo com Ricardo Cunha, após ser confrontado com as informações reunidas pelos investigadores, ele confessou os assassinatos e descreveu em detalhes o que teria ocorrido dentro da residência.
Dívida com agiotas teria motivado ida à residência
Segundo a versão apresentada pelo suspeito à polícia, ele estava endividado com agiotas e foi à casa de Francisco, seu ex-sogro e pastor de uma igreja, em busca de dinheiro.
Durante a investigação, foram mencionados valores entre R$ 16 mil e R$ 19 mil referentes à dívida. Ezenilson teria procurado Francisco para conseguir recursos para quitar o débito.
Conforme o delegado, houve um desentendimento depois que Francisco se recusou a entregar mais dinheiro.
“Tiveram um desentendimento porque esse pastor não quis lhe dar mais dinheiro e, segundo ele, ele perdeu a cabeça e matou esse pastor ainda dentro do seu próprio quarto”, relatou Ricardo Cunha.
Francisco teria sido a primeira vítima.
Vítimas acordaram com movimentação dentro da casa
De acordo com a reconstrução feita pela DEHS a partir da confissão e dos elementos encontrados na residência, as outras vítimas acabaram atacadas após perceberem a movimentação.
Isabella, filha de Francisco, estava em um cômodo próximo e entrou no quarto após ouvir o que acontecia. Ela também foi atingida. A jovem tinha paralisia cerebral em grau leve e conseguia caminhar e realizar atividades cotidianas.
No andar superior da residência estava o professor da Ufam Guilherme Pereira Lima Filho. Ele teria ouvido os gritos, subido para verificar a situação e entrado em luta corporal com Ezenilson, mas acabou morto.
Dilma também teria subido após ouvir a confusão e foi golpeada.
“Ele entrou no ambiente e os outros foram consequências ali de estarem acordando. Estava todo mundo dormindo no horário que ele entrou nessa casa”, afirmou Ricardo Cunha.
Suspeito teria continuado procurando dinheiro após os ataques
A permanência de Ezenilson por aproximadamente duas horas na residência, segundo a polícia, também está relacionada à busca por dinheiro.
Após os ataques, ele teria continuado vasculhando o imóvel e encontrado um pequeno cofre com dinheiro. A investigação também aponta que celulares pertencentes às vítimas foram retirados da casa.
A polícia apura todos os bens levados e o destino dado a eles.
O suspeito também estaria usando uma máscara de proteção durante a ação, numa tentativa de dificultar sua identificação.
Martelo teria sido jogado em igarapé
Após a prisão, Ezenilson declarou que utilizou um martelo nos ataques e que, depois do crime, jogou o objeto em um igarapé localizado nas proximidades.
“Foi um martelo. Ele já se desfez desse martelo, jogou lá no igarapé, ali próximo ao local de crime”, disse o delegado.
A Polícia Civil continua realizando diligências para localizar elementos relacionados ao crime e confirmar cada ponto apresentado na versão do suspeito.
Câmeras levaram polícia até suspeito
Um dos elementos considerados decisivos para a identificação de Ezenilson foram imagens de câmeras de segurança da região.
As gravações mostraram um homem chegando de motocicleta durante a madrugada, estacionando nas proximidades e entrando no imóvel. Os investigadores passaram então a analisar pessoas próximas às vítimas.
Segundo Ricardo Cunha, a equipe percebeu semelhanças entre Ezenilson e o homem registrado pelas câmeras. A motocicleta utilizada por ele também teria características compatíveis com o veículo que aparece nas imagens.
Diante dos elementos reunidos, o suspeito foi confrontado pelos investigadores.
“Confrontamos ele, ele não titubeou, ele confessou a prática desse crime. Tivemos que retornar ao local do crime para ver aquelas cenas de terror novamente para entender a dinâmica e lá ele relatou com muitos detalhes como foi essa ação criminosa”, afirmou o titular da DEHS.
Delegado diz que suspeito não demonstrou arrependimento
De acordo com Ricardo Cunha, Ezenilson não possuía antecedentes criminais, mas chamou a atenção dos investigadores pela maneira como teria relatado os assassinatos.
“Trata-se de uma pessoa sem passagens, é uma pessoa altamente fria, não esboçou qualquer tipo de arrependimento ali ao confessar o crime”, declarou.
Durante o interrogatório, o suspeito também teria alegado legítima defesa. A versão, segundo o delegado, não convenceu a equipe responsável pelo caso.
“Alegou uma legítima defesa que obviamente não nos convenceu, mas foi alegado por ele no interrogatório”, disse.
A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros prossegue com as investigações para esclarecer todos os detalhes do crime, recuperar objetos relacionados aos assassinatos e verificar se Ezenilson agiu sozinho.







