“Não basta ter riqueza no subsolo. O Amazonas precisa transformar seus recursos naturais em emprego, desenvolvimento e qualidade de vida para a população”, defendeu Tadeu de Souza ao falar sobre a exploração de terras raras e soberania nacional.

O ex-vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza, voltou a defender uma política nacional voltada à exploração sustentável das chamadas terras raras, destacando que a riqueza mineral da região precisa resultar em benefícios concretos para a população amazonense, especialmente no interior do estado.

Em manifestação publicada nas redes sociais nesta sexta-feira (22), Tadeu cobrou do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criação de uma regulamentação capaz de assegurar soberania nacional, desenvolvimento econômico e geração de empregos especializados no Amazonas.

Na avaliação do ex-vice-governador, o avanço global na disputa por minerais estratégicos coloca o Brasil diante de uma oportunidade econômica importante, mas também de um desafio relacionado ao controle dos recursos naturais e à destinação das riquezas produzidas a partir deles.

Tadeu afirmou que minerais considerados essenciais para indústrias de tecnologia, produção de baterias, equipamentos eletrônicos e até setores militares não podem beneficiar apenas investidores externos enquanto comunidades do interior amazonense seguem convivendo com dificuldades sociais.

“O Amazonas precisa transformar essa riqueza em hospitais, escolas de tecnologia, segurança pública e oportunidades para a população. Não podemos assistir à exploração desses recursos sem que isso gere melhorias reais para quem vive aqui”, declarou.

Ao defender uma exploração racional e sustentável, o ex-vice-governador argumentou que o setor pode se tornar uma ferramenta para reduzir desigualdades regionais e ampliar o desenvolvimento fora da capital amazonense. Segundo ele, a existência de grandes reservas minerais contrasta com os baixos indicadores sociais observados em diversos municípios do interior.

Outro ponto levantado por Tadeu foi a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção da soberania brasileira diante do interesse internacional nas chamadas terras raras. Ele mencionou a venda da Mina de Pitinga, localizada em Presidente Figueiredo, para uma empresa estrangeira como exemplo da importância de regras claras para o setor.

“Investimentos estrangeiros são importantes, mas o Brasil precisa garantir que o comando estratégico dessas riquezas permaneça alinhado aos interesses nacionais e da população amazonense”, ressaltou.

O debate sobre terras raras ganhou força nos últimos anos em razão da disputa comercial entre potências como Estados Unidos e China, que disputam o domínio da cadeia produtiva desses minerais considerados essenciais para a indústria de alta tecnologia.

Dados do Serviço Geológico do Brasil apontam que o país possui uma das maiores reservas de terras raras do planeta, com forte concentração no Amazonas, além de estados como Goiás, Minas Gerais, Bahia e Sergipe. O Brasil também lidera as reservas globais de nióbio, mineral estratégico utilizado em diversos segmentos industriais.

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