
Muitos homens relacionam a testosterona apenas como o hormônio do sexo, mas ela tem um papel muito mais amplo no organismo, influenciando os músculos, ossos, capacidade metabólica, função reprodutiva e o sistema cerebral e cardiovascular masculino.
Quando o hormônio não está presente nos níveis adequados, o indivíduo não sofre apenas com sintomas relacionados à saúde sexual, queda de libido e disfunção erétil, mas também enfrenta quadros de cansaço, mudanças no humor, complicações para se concentrar e até diminuição da densidade óssea.
“Estudos publicados recentemente mostram uma tendência global de queda nos níveis de testosterona ao longo das últimas décadas – independentemente do envelhecimento natural – e isso está diretamente ligado ao estilo de vida moderno”, afirma o endocrinologista e metabologista Felipe Henning Gaia Duarte, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia de São Paulo.
Principais sinais de testosterona baixa:
- Cansaço e fadiga persistente
- Queda da libido e disfunção erétil
- Alterações de humor
- Dificuldade de concentração e memória
- Redução da densidade óssea
- Anemia leve
- Em casos avançados, diminuição de pelos e do volume testicular
O que pode baixar os níveis de testosterona
A testosterona é produzida principalmente durante o sono profundo, então dormir mal é considerado um dos principais fatores para diminuir os níveis do hormônio. “Pesquisas mostram que apenas uma noite de privação de sono já provoca aumento significativo de cortisol e queda significativa de testosterona em homens ativos”, diz o endocrinologista.
Se exercitar ajuda a produzir testosterona naturalmente. Como consequência, ser sedentário diminui esse estímulo. Já a obesidade confere aos homens um tecido gorduroso maior, onde há uma enzima chamada aromatase, responsável por converter o hormônio em estrogênio, “desperdiçando-o” na conversão.
Para quem consome álcool em excesso, é importante tomar cuidado. A ingestão de líquidos alcoólicos age diretamente nas células de Leydig — responsáveis pela produção de testosterona nos testículos. “O cigarro e o uso de outras substâncias causam estresse oxidativo e afetam diretamente a qualidade da função testicular”, aponta Duarte.
Estresse constante não faz bem ao organismo como um todo. Estar sob pressão continuamente faz o corpo liberar cortisol (hormônio do estresse) em excesso, e isso faz com que a produção da testosterona diminua. “Em outras palavras, o corpo em modo de ‘sobrevivência’ prioriza o cortisol e sacrifica o hormônio sexual”, explica Duarte.
Uma alimentação inadequada pode favorecer o ganho de peso, aumento de gordura visceral, resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau e piora global da saúde metabólica — fatores indiretos que influenciam negativamente a produção do hormônio.
Os disruptores endócrinos são substâncias químicas presentes em plásticos, incluindo embalagens de alimentos, garrafinhas e até cosméticos. Ao entrar no organismo, elas têm capacidade de mudar o sistema endócrino, bloqueando ou interferindo na produção de hormônios naturais do corpo, como a testosterona.
Nem sempre os níveis baixos de testosterona estão relacionados a hábitos pouco saudáveis e podem estar ligados a doenças da hipófise, alterações da tireoide, condições genéticas e outras sistêmicas.
O urologista Gustavo Marquesine Paul, coordenador do departamento de andrologia, reprodução e sexualidade da Sociedade Brasileira de Urologia, esclarece que: “Quando há uma causa médica, como doenças hormonais, uso de determinados medicamentos ou doenças sistêmicas, é necessário tratar o problema de base”.
A importância do diagnóstico correto
O que mais dificulta o diagnóstico da baixa de testosterona no corpo é a falta de especificidade dos sintomas. Muitas vezes eles podem ser confundidos com os de outras condições e atrasar a detecção do quadro.
O autodiagnóstico de níveis baixos de testosterona também pode mascarar a ocorrência da causa do problema. A solução mais eficaz é procurar ajuda médica ao sentir qualquer um dos sinais citados.
“Na maioria dos casos, a testosterona pode ser melhorada com ajustes no estilo de vida, mas nem todos os casos são iguais. Em outros casos, o uso de medicamentos que estimulam a própria produção de testosterona pelo testículo pode ser interessante”, conclui Paul.
Com informações de Metrópoles







