
A Ufam recebeu nesta sexta-feira, 8 de maio, a celebração dos 12 anos do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia). O evento reuniu lideranças indígenas, acadêmicos e gestores para discutir a trajetória do movimento e as políticas de inclusão no ensino superior sob o tema “Memória Ancestral: Reencontrar Saberes, Refazer Caminhos”. A abertura do evento foi marcada por apresentações dos grupos Watchimaücü (grupo Tikuna) e grupo do Centro Acadêmico Formação de Professores Indígenas (FPI). Durante a cerimônia, a Reitoria da Ufam destacou avanços na interiorização, como a implantação do campus de São Gabriel da Cachoeira, que contará com edital de concurso público prevendo mais de 50% das vagas reservadas a candidatos indígenas.
A programação do aniversário iniciou com um ritual de abertura e apresentações culturais, seguidos pela mesa de diálogo “FOREEIA: qual sua importância e como o movimento indígena atua na defesa de direitos educacionais no Amazonas?”. No período da tarde, as atividades incluíram a palestra magna sobre memória ancestral e o lançamento de registros de memórias dos 12 anos da organização. O encerramento da agenda contou com a definição de encaminhamentos para o fortalecimento das redes de educação e saúde e um momento de confraternização entre os participantes.
A presidente do Foreeia, Alva Rosa Tukano, afirmou que a resistência do Fórum é motivada pela necessidade de transformar as universidades em espaços que pensem além da graduação. Segundo a dirigente, o movimento busca garantir acesso ao mestrado, ao doutorado e à formação de qualidade para professores que já atuam em seus territórios. Alva ressaltou que a estratégia da organização é pautada no diálogo, visando converter as demandas dos povos originários em políticas públicas, como a oferta de licenciaturas interculturais e recursos para infraestrutura escolar.
A vice-presidente do Foreeia, Marlete Kambeba, destacou o caráter pedagógico da organização. “O Fórum nos proporciona uma formação política que, para mim — como mulher e professora indígena —, vai além da academia. O Foreia me fortalece e me capacita para retornar ao meu território”, declarou. A tesoureira, Socorro Mura, reforçou o compromisso com a causa: “Atuamos na diretoria com o compromisso de buscar uma educação escolar indígena que seja, de fato, de qualidade e específica para as realidades dos diversos povos do nosso estado”.
Daniele Munduruku, secretária do Foreeia e diretora de Políticas Afirmativas da Ufam, definiu a comemoração como um registro de vitória contra o silenciamento histórico. Para a gestora, a presença de indígenas na universidade representa a afirmação de um futuro ancestral. O evento encerrou-se com a reafirmação da parceria institucional para o monitoramento de programas e projetos voltados às populações indígenas no Amazonas.
A reitora da Ufam, Tanara Lauschner, enfatizou que a universidade deve ser um espaço de pluralidade e reconheceu a importância da representatividade direta. “É muito importante que vocês falem por vocês e a gente precisa garantir esse espaço”, pontuou. A reitora detalhou ainda medidas de assistência estudantil, como o edital Tapera, que antecipa o pagamento de bolsas, e a criação da Cuidoteca Amazônia Viva, destinada a receber os filhos de estudantes durante o período de aulas.







