Embarcações no Estreito de Ormuz 29 de abril de 2026 • Stringer/Reuters

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, registrou um aumento significativo no fluxo de embarcações nos últimos dias. No entanto, o ritmo de navegação voltou a desacelerar nesta sexta-feira (26), após a suspensão de um plano internacional de evacuação e o aumento das preocupações com a segurança na região.

Dados da plataforma MarineTraffic apontam que 73 embarcações cruzaram o estreito na quarta-feira, o maior número registrado desde o início do conflito envolvendo o Irã, no fim de fevereiro. O volume representa mais que o dobro do observado na terça-feira.

O crescimento ocorreu após os Estados Unidos suspenderem as sanções ao petróleo iraniano como parte do acordo de cessar-fogo firmado entre os dois países. Paralelamente, a Organização Marítima Internacional (IMO) e as Nações Unidas iniciaram uma operação para retirar cerca de 11 mil marítimos e aproximadamente 500 embarcações que permaneciam retidos na região.

Segundo Gene Seroka, diretor executivo do Porto de Los Angeles, o aumento do tráfego não representa uma normalização completa da navegação.

“O que estamos vendo são os navios que estavam parados no Golfo por esse longo período começando a sair, com foco na ajuda humanitária para resgatar os marítimos e, em seguida, alguns petroleiros selecionados quando as sanções foram suspensas. Isso não significa que todos os navios já tenham autorização para atravessar o estreito.”

Operação humanitária é interrompida

Antes do conflito, especialistas estimavam que entre 110 e 160 navios cruzavam diariamente o Estreito de Ormuz. Desde o bloqueio provocado pela guerra, a média caiu para menos de dez embarcações por dia.

Na tentativa de retomar a circulação de forma controlada, a IMO criou duas novas rotas marítimas, uma próxima à costa iraniana e outra junto ao litoral de Omã, consideradas livres de minas e outros riscos.

Entretanto, o plano foi suspenso na quinta-feira após um navio ser atingido no Golfo de Omã. Segundo uma autoridade norte-americana, a embarcação foi alvo de um ataque com drone atribuído ao Irã, informação que não foi confirmada oficialmente por Teerã.

Após o incidente, o governo iraniano alertou que apenas embarcações utilizando rotas previamente declaradas às autoridades do país teriam passagem considerada segura, elevando novamente a preocupação das empresas de navegação.

Empresas mantêm cautela

O secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, informou que a suspensão da operação foi adotada como medida preventiva enquanto são reavaliadas as garantias de segurança para os navios que aguardam autorização para deixar a região.

Segundo a organização, ao menos 46 ataques contra embarcações e 14 mortes já foram registrados desde o início do conflito.

Empresas do setor marítimo seguem adotando uma postura cautelosa diante da ameaça de novos ataques, da presença de minas e da dificuldade para contratar seguros de guerra.

De acordo com Sanne Manders, presidente da empresa global de logística Flexport, a maior parte dos navios que continuam transitando pelo estreito ainda pertence a armadores iranianos ou a poucas companhias asiáticas.

A expectativa de especialistas é que o fluxo de embarcações permaneça reduzido nos próximos dias até que haja novas garantias de segurança e a IMO possa retomar gradualmente sua operação de evacuação.

Artigo anterior6ª Churrascada Metal com 8 horas de programação neste domingo (28)
Próximo artigoOpep restabelece gradualmente cota de produção do Iraque após impacto da guerra com o Irã