
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contestou nesta segunda-feira (17) relatos sobre supostas dificuldades enfrentadas pela tripulação do porta-aviões USS Abraham Lincoln, que está há mais de 250 dias em missão.
Trump classificou como “fake news” reportagens que apontaram escassez intermitente de alimentos, falta de itens de higiene e problemas no sistema de água da embarcação. As informações haviam sido relatadas à CNN por marinheiros e familiares de militares.
“Há comida suficiente no Lincoln”, afirmou Trump a jornalistas no Salão Oval. O presidente também disse ter conversado com um almirante da reserva, que teria relatado que o navio é bem conservado e que as condições a bordo seriam adequadas.
“O Lincoln está lá fora há algum tempo, um bom tempo”, afirmou Trump. Segundo ele, porém, a Marinha já manteve porta-aviões em missões ainda mais longas no passado.
Missão ultrapassa 250 dias
O USS Abraham Lincoln deixou sua base em San Diego, na Califórnia, em novembro do ano passado. Posteriormente, foi redirecionado para o Oriente Médio para apoiar operações militares dos Estados Unidos em meio às tensões com o Irã.
A permanência prolongada longe da base fez com que o navio acumulasse mais de 250 dias em missão, podendo se aproximar do recorde moderno de permanência de um porta-aviões norte-americano longe de sua base desde a Guerra do Vietnã.
O período prolongado também provocou questionamentos de familiares de militares e parlamentares sobre o impacto da missão na saúde física e mental da tripulação.
Marinheiros foram envolvidos em incidentes no mar
Pelo menos dois episódios envolvendo integrantes do grupo de ataque do Lincoln foram relatados nos últimos meses.
Em agosto, um marinheiro teria pulado no mar a partir do próprio USS Abraham Lincoln em um episódio relacionado à saúde mental. Ele foi resgatado e encaminhado para avaliação médica.
Outro caso ocorreu em 12 de abril, quando um marinheiro do destróier USS Frank E. Petersen Jr., integrante do grupo de ataque do Lincoln, caiu no mar. O militar foi resgatado e levado ao porta-aviões para receber atendimento médico antes de ser transportado de avião para cuidados adicionais.
Não foi esclarecido se a queda ocorreu de maneira acidental ou se o militar pulou na água.
Veículos especializados, como Stars and Stripes e Navy Times, também relataram outros episódios envolvendo integrantes da tripulação, citando marinheiros e familiares.
Marinha nega agravamento da crise
Apesar das denúncias, autoridades da Marinha dos Estados Unidos afirmam que não houve aumento de casos de ideação ou tentativas de suicídio a bordo.
A instituição também destaca que o porta-aviões conta com profissionais médicos, religiosos e especialistas em saúde mental para atender os militares durante a missão.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também rejeitou os relatos de deterioração das condições no navio e afirmou que as informações foram “totalmente distorcidas”.
Segundo Hegseth, o governo garante que os navios, suas tripulações e seus comandantes recebam os recursos necessários para cumprir as missões.
USS George Washington substituirá o Lincoln
O Pentágono confirmou a substituição do grupo de ataque do USS Abraham Lincoln pelo grupo de ataque do USS George Washington.
O porta-aviões George Washington concluiu uma visita ao Vietnã em 5 de agosto e segue para o Oriente Médio. Ainda não há uma data definida para sua chegada à região.
De acordo com uma autoridade norte-americana, a substituição já estava prevista antes dos recentes questionamentos envolvendo a tripulação do Lincoln. O Pentágono não afirmou que os incidentes com marinheiros tenham provocado a mudança.
Trump nega preocupação com saúde dos militares
Trump já havia rejeitado, na sexta-feira (14), preocupações de familiares de militares sobre as condições enfrentadas pela tripulação.
Questionado sobre os relatos relacionados à saúde mental dos marinheiros, o presidente afirmou que os familiares não estariam preocupados.
Trump também confirmou que o Lincoln deixaria a região e seria substituído por outro porta-aviões. Ao ser questionado se mais de oito meses de missão seriam tempo demais, respondeu que não.
“Não, não, não. Não é tempo suficiente”, declarou.
Caso isolado ou sinal de desgaste?
Quedas no mar e problemas relacionados à saúde mental não são situações inéditas em operações militares. A Marinha realiza treinamentos específicos de “homem ao mar” para preparar as tripulações para emergências desse tipo.
O que chamou atenção no caso do Lincoln foi a combinação entre os incidentes relatados, a duração excepcional da missão e as denúncias de marinheiros e familiares sobre possíveis impactos psicológicos provocados pelo longo período longe de terra.
Enquanto parlamentares democratas cobram explicações do Pentágono, a Casa Branca e autoridades militares negam que exista uma deterioração generalizada das condições a bordo.
A substituição pelo USS George Washington deve encerrar uma das missões mais longas da história recente do Lincoln, enquanto o porta-aviões permanece no centro do debate sobre os limites das operações prolongadas da Marinha dos Estados Unidos.
Como é o USS Abraham Lincoln?
O USS Abraham Lincoln foi comissionado em 1989 e é o quinto dos dez porta-aviões da classe Nimitz da Marinha dos Estados Unidos.
A embarcação tem aproximadamente 335 metros de comprimento, desloca mais de 100 mil toneladas e é movida por dois reatores nucleares, que alimentam quatro turbinas a vapor e quatro eixos de hélices. A velocidade máxima é de aproximadamente 56 km/h.
O porta-aviões pode transportar mais de 5 mil marinheiros e tripulantes e operar cerca de 90 aeronaves, incluindo caças F-35 e F/A-18, aeronaves de guerra eletrônica EA-18G, aviões de alerta e comando E-2D, aeronaves de transporte CMV-22 e helicópteros.
A aeronave pode ser lançada por quatro catapultas a vapor instaladas no convés de voo. O navio também possui sistemas próprios para produção de água doce, com quatro unidades de destilação capazes de produzir cerca de 1,5 milhão de litros por dia a partir da água do mar.







