REUTERS/Evelyn Hockstein

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em confronto verbal nesta segunda-feira (17) com a jornalista Kristen Holmes, correspondente sênior da CNN na Casa Branca, durante um evento no Salão Oval. O episódio ocorreu após a repórter questionar Trump sobre o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, e sobre a decisão do governo norte-americano de reduzir significativamente os exercícios militares conjuntos realizados com a Coreia do Sul.

Holmes perguntou se Trump havia conversado recentemente com Kim Jong-un e se o líder norte-coreano teria solicitado a redução das atividades militares entre Estados Unidos e Coreia do Sul. O questionamento foi feito depois de Trump anunciar que pretendia diminuir de forma significativa a participação norte-americana nos exercícios.

No domingo (16), Trump havia afirmado nas redes sociais que, diante do que classificou como seu “ótimo relacionamento” com Kim Jong-un, não estava satisfeito com a participação dos Estados Unidos nas operações militares conjuntas com a Coreia do Sul. O presidente também disse que orientaria o secretário de Defesa, Pete Hegseth, a reduzir substancialmente as atividades.

Durante a entrevista, Holmes insistiu na pergunta, mas foi interrompida por Trump. O presidente chamou a jornalista de “muito desrespeitosa” e perguntou para qual veículo ela trabalhava. Após Holmes responder que era correspondente da CNN, Trump passou a criticá-la e a acusá-la de divulgar notícias falsas.

O presidente também ordenou que a jornalista ficasse em silêncio e repetiu diversas vezes que ela seria uma “repórter falsa”. O bate-boca ocorreu diante de outros integrantes da imprensa e de autoridades presentes no evento.

A discussão aconteceu depois de outro momento de tensão envolvendo a mesma jornalista durante a cerimônia. Antes de perguntar sobre Kim Jong-un, Holmes questionou Trump sobre uma declaração feita pelo senador democrata Jon Ossoff a respeito de Natalie Harp, integrante da equipe do presidente.

No domingo, Ossoff havia criticado Trump e afirmado que o presidente não estaria disposto a desempenhar suas funções, preferindo investir na construção de um salão de baile e viajar com Harp em um avião. A declaração também fez referência ao avião oferecido pelo emir do Catar.

Comentários sem comprovação sobre um suposto relacionamento entre Trump e Harp circulam nas redes sociais, mas não há evidências apresentadas que confirmem a existência de um relacionamento amoroso entre os dois.

A pergunta de Holmes sobre a declaração do senador ocorreu durante um evento no Salão Oval organizado para homenagear Ryder Williams, um adolescente que atua como salva-vidas e que resgatou um menino de 10 anos em uma praia de Santa Cruz, na Califórnia.

A abordagem provocou críticas da equipe de comunicação da Casa Branca. A conta Rapid Response 47, ligada ao governo Trump, publicou mensagens atacando a jornalista e classificando a pergunta como inadequada para uma cerimônia de homenagem.

Em uma das publicações, Holmes foi chamada de uma “vergonha” para a profissão e acusada de utilizar o evento para atacar uma integrante da equipe presidencial. Em outra mensagem, a equipe classificou o questionamento como “repugnante e desumano” e chamou a correspondente de “insensível e vingativa”.

A equipe de comunicação também afirmou que os filhos da jornalista poderiam, no futuro, sentir vergonha ao tomar conhecimento da pergunta feita pela mãe durante a cerimônia.

A CNN reagiu às críticas e saiu em defesa de Holmes. Em comunicado, a emissora afirmou que a correspondente estava exercendo seu trabalho jornalístico ao fazer perguntas ao presidente dos Estados Unidos sobre assuntos considerados de interesse público.

A emissora também destacou a trajetória profissional da jornalista na cobertura da Casa Branca e criticou os ataques pessoais direcionados a Holmes. Segundo a CNN, a correspondente fez uma pergunta considerada difícil e relevante durante o exercício de sua função como jornalista.

O episódio ocorre em meio a novos debates nos Estados Unidos sobre a relação entre o governo Trump e a imprensa, especialmente diante dos frequentes confrontos públicos do presidente com jornalistas durante entrevistas e eventos oficiais.

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