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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), trocaram elogios nesta segunda-feira (17), durante uma agenda da Petrobras em Oiapoque, no Amapá. Foi o primeiro compromisso público dos dois desde a retomada do diálogo político, após meses de afastamento provocados pela rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Senador pelo Amapá, Alcolumbre agradeceu a Lula pela defesa da exploração de petróleo na costa do estado e associou a atuação do governo federal à descoberta de óleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas. O senador afirmou que o presidente enfrentou resistências para permitir o avanço da exploração na região.

A exploração na costa do Amapá foi marcada por uma série de controvérsias ambientais e políticas. O projeto enfrentou oposição de ambientalistas, comunidades indígenas e integrantes do próprio governo, além de passar por um longo processo de licenciamento conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Em maio de 2023, o Ibama havia negado autorização para a Petrobras perfurar o bloco FZA-M-59, alegando questões ambientais. A estatal contestou a decisão e apresentou novos estudos, além de medidas para reduzir os impactos e responder a possíveis vazamentos de óleo.

O processo também provocou divergências dentro do governo federal. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), defendia que a decisão sobre a autorização deveria seguir critérios técnicos e ser tomada pelo Ibama. Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), pressionava pela liberação da pesquisa e chegou a cobrar publicamente maior agilidade do órgão ambiental.

Lula também participou do debate. Em fevereiro de 2025, o presidente afirmou que o Ibama parecia estar “contra o governo” diante da demora para a concessão da licença.

A autorização para a perfuração acabou sendo concedida em 20 de outubro de 2025, permitindo que a Petrobras realizasse a pesquisa exploratória no poço Morpho.

O poço está localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, a aproximadamente 500 quilômetros da foz do rio Amazonas e 175 quilômetros da costa do Amapá. O local possui lâmina d’água de 2.886 metros.

A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a presença de petróleo no local. A companhia, no entanto, ainda não sabe qual é o volume da descoberta nem se a área apresenta condições para exploração comercial. A perfuração deverá continuar por mais 15 a 20 dias para que sejam realizados novos procedimentos de avaliação.

Durante o evento em Oiapoque, Alcolumbre também defendeu a aproximação entre Executivo e Legislativo. O senador afirmou que reconhecer ações consideradas importantes para o país significa fazer justiça e destacou a necessidade de uma atuação conjunta entre os Poderes.

Lula, por sua vez, retribuiu os elogios e citou decisões recentes de Alcolumbre no Senado que permitiram o avanço de propostas consideradas prioritárias pelo governo federal.

O presidente mencionou o encaminhamento para as comissões de projetos relacionados ao fim da escala de trabalho 6×1, à PEC da Segurança Pública e à política nacional para minerais críticos e estratégicos.

Segundo Lula, Alcolumbre teve uma atuação considerada importante ao permitir que as propostas avançassem na estrutura do Senado.

O encontro no Amapá ocorre após aproximadamente três meses de distanciamento político entre os dois. O rompimento começou durante a disputa pela indicação de um novo ministro do STF, após a saída de Luís Roberto Barroso.

Lula indicou o então advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga. Alcolumbre, por outro lado, defendia a escolha do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Mesmo diante da resistência do presidente do Senado, Lula manteve a indicação de Messias. Em 29 de abril, o plenário do Senado rejeitou o nome por 42 votos a 34, com uma abstenção. Eram necessários pelo menos 41 votos favoráveis para a aprovação.

A rejeição teve grande repercussão política porque foi a primeira vez desde 1894 que o Senado brasileiro derrubou uma indicação presidencial para o Supremo Tribunal Federal.

Alcolumbre foi apontado como um dos principais articuladores da rejeição de Messias. Após a votação, a relação entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado ficou mais distante, com redução dos contatos entre Lula e Alcolumbre.

A reaproximação começou no início de agosto. No dia 4, os dois se encontraram na residência do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em Brasília. O ministro Cristiano Zanin também participou da reunião, que teve como objetivo reconstruir o diálogo entre os dois chefes de Poder.

Lula e Alcolumbre voltaram a se reunir no Palácio da Alvorada na quarta-feira (12) e novamente na sexta-feira (14). Após os encontros, o presidente do Senado afirmou que o diálogo entre os dois havia sido restabelecido.

A retomada das conversas também começou a produzir efeitos na relação entre governo e Senado. Após os encontros com Lula, Alcolumbre encaminhou às comissões da Casa propostas consideradas prioritárias pelo governo, entre elas a discussão sobre a escala 6×1, a PEC da Segurança Pública e o projeto relacionado aos minerais críticos e estratégicos.

O governo federal busca acelerar a tramitação dessas propostas antes das eleições de outubro. Entre as prioridades estão a mudança na jornada de trabalho e a PEC da Segurança Pública, que são tratadas pelo Planalto como iniciativas importantes para o atual mandato.

Para Alcolumbre, a reconstrução da relação com o governo ocorre paralelamente às articulações políticas para a continuidade de sua influência no Senado e para a disputa por um novo mandato na presidência da Casa.

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