
A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (24) a aplicação de multas que totalizam US$ 1 bilhão contra o Google por supostas infrações à Lei dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês). Segundo a Comissão Europeia, a empresa utilizou sua posição dominante para favorecer serviços próprios e prejudicar a concorrência, intensificando o embate entre o bloco europeu e os Estados Unidos sobre a regulação das gigantes de tecnologia.
De acordo com o órgão executivo da União Europeia, o Google priorizava seus serviços de compras, hospedagem e transporte nos resultados das pesquisas feitas pelos usuários, reduzindo a visibilidade de plataformas concorrentes. A investigação também concluiu que a companhia dificultava o acesso dos consumidores a ofertas mais vantajosas disponíveis em aplicativos e serviços rivais.
A Comissão Europeia afirma que essas práticas violam a Lei dos Mercados Digitais, criada para impedir que grandes plataformas utilizem seu poder de mercado para limitar a concorrência e restringir as opções disponíveis aos usuários.
O porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, rebateu as críticas do governo norte-americano à atuação do bloco e afirmou que as empresas europeias de tecnologia e inovação são as principais prejudicadas pelas práticas adotadas por grandes companhias do setor.
O Google terá agora um prazo de 60 dias para adequar seus serviços às exigências previstas na legislação europeia. Caso cumpra as determinações dentro do período estabelecido, a empresa poderá evitar sanções financeiras ainda mais severas.
A decisão reforça a política da União Europeia de ampliar a fiscalização sobre as chamadas big techs, especialmente em questões relacionadas à concorrência, transparência e funcionamento dos mercados digitais.
O anúncio ocorre um dia após a divulgação dos resultados financeiros do Google Cloud. A divisão de computação em nuvem da empresa registrou crescimento de 82% no segundo trimestre do ano, impulsionada pelo aumento da demanda por infraestrutura voltada ao desenvolvimento de soluções de inteligência artificial.
O avanço acelerado da IA tem levado governos e órgãos reguladores de diferentes países a discutir novas regras para limitar o poder das grandes empresas de tecnologia e estabelecer mecanismos de proteção à concorrência no ambiente digital.







