Flickr

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou na quinta-feira (20) que a pressão econômica é a principal ferramenta utilizada pelo governo norte-americano para pressionar o Irã. Segundo ele, embora o impasse no Estreito de Ormuz represente riscos para os dois países, Teerã estaria sofrendo impactos econômicos maiores do que Washington.

“A ferramenta mais eficaz que temos é a pressão econômica que podemos exercer sobre eles”, declarou Vance durante participação no programa “Clay Travis and Buck Sexton Show”. O vice-presidente reconheceu que a estratégia envolve um equilíbrio delicado, mas afirmou que os efeitos das medidas adotadas pelos Estados Unidos já seriam mais sentidos pelo governo iraniano.

A declaração ocorreu depois de o presidente Donald Trump anunciar uma espécie de “guerra econômica” contra o Irã. O republicano afirmou que pretende promover um isolamento econômico do país em uma escala sem precedentes e ameaçou impor consequências econômicas a nações que continuarem mantendo relações comerciais com Teerã.

Segundo Trump, o objetivo da estratégia é aumentar a pressão sobre o governo iraniano para que seja alcançado um novo acordo sobre o programa nuclear. Vance defendeu a medida e afirmou que a pressão econômica faz parte do esforço para criar uma nova situação no país.

O vice-presidente também afirmou que os Estados Unidos pretendem garantir não apenas a destruição de instalações relacionadas ao programa nuclear iraniano, mas impedir que o país consiga reconstruí-las no futuro. “É nessa fase que estamos agora”, declarou.

A tentativa de limitar o programa nuclear do Irã é uma das principais questões da política externa dos Estados Unidos em relação ao Oriente Médio. Em 2015, durante o governo do democrata Barack Obama, Washington e Teerã participaram de um acordo internacional que estabeleceu restrições às atividades nucleares iranianas.

O pacto previa limites ao programa nuclear do Irã e mecanismos de inspeção das instalações para verificar o cumprimento das regras. Em contrapartida, o país recebeu alívio de parte das sanções econômicas impostas internacionalmente.

Em 2018, durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do acordo e afirmou que os termos eram favoráveis demais ao governo iraniano. Após a saída norte-americana, Teerã deixou de cumprir gradualmente algumas das restrições previstas no pacto e aumentou o nível de enriquecimento de urânio.

O governo de Joe Biden tentou posteriormente retomar o acordo e ofereceu a possibilidade de novo alívio das sanções em troca da retomada dos compromissos por parte do Irã, mas as negociações não resultaram em um novo entendimento.

Já em seu segundo mandato, Trump voltou a pressionar o governo iraniano para limitar ou abandonar seu programa nuclear. Washington sustenta que Teerã poderia estar próximo de desenvolver uma arma nuclear. O governo iraniano rejeita a acusação e afirma que suas atividades nucleares têm objetivos pacíficos, principalmente relacionados à produção de energia.

No início do ano, representantes dos Estados Unidos e do Irã chegaram a se reunir para discutir a possibilidade de um novo acordo nuclear. As primeiras conversas foram consideradas positivas pelas delegações envolvidas, mas as negociações acabaram sendo interrompidas em meio ao aumento das tensões.

Posteriormente, Trump acusou o governo iraniano de retomar suas ambições nucleares e autorizou novos ataques contra o país, desta vez com participação de Israel.

A escalada também envolveu grupos aliados de Teerã. O Hezbollah, organização apoiada pelo Irã e com forte presença no Líbano, lançou mísseis contra Israel, que respondeu com ataques contra alvos no território libanês.

A situação se agravou ainda mais com ataques de drones iranianos contra instalações militares europeias no Oriente Médio e com o aumento das hostilidades no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte internacional de petróleo.

O estreito tem importância estratégica para a economia mundial porque concentra uma parcela significativa do transporte marítimo de petróleo e derivados. Qualquer interrupção prolongada na passagem de navios pode elevar os custos de energia e provocar impactos em mercados de diferentes países.

Nesse cenário, a administração Trump aposta no aumento da pressão econômica como instrumento para tentar forçar Teerã a aceitar novas negociações sobre seu programa nuclear, enquanto o governo iraniano mantém sua posição de que suas atividades nucleares possuem finalidade pacífica.

Artigo anteriorIA pode demitir funcionários? Caso nos EUA acende alerta
Próximo artigoTSE define tempo de propaganda eleitoral; Lula lidera